Qual tomada o meu carro elétrico usa? Guia por marca e modelo vendido no Brasil
Tipo 2, CCS2, CHAdeMO, GB/T ou Tipo 1: a lista por fabricante, como identificar pela porta de recarga, quais adaptadores existem e o que levar no porta-malas.
Abrir a tampa da porta de recarga e não saber se o cabo do eletroposto vai encaixar é uma dúvida que aparece na primeira semana com o carro e some na segunda, porque a resposta é quase sempre a mesma: se o seu carro foi vendido oficialmente no Brasil a partir de 2020, ele usa Tipo 2 para corrente alternada e, se for elétrico puro, CCS2 para corrente contínua. As exceções são carros mais antigos, alguns importados de forma independente e modelos específicos de duas marcas. Este guia lista as marcas, ensina a identificar o conector pela porta e diz quais adaptadores funcionam.
Por que o Brasil usa o padrão europeu
A norma brasileira para conectores de recarga é a ABNT NBR IEC 62196, tradução da norma internacional IEC 62196, que define os conectores "Tipo 2" (corrente alternada, sete pinos, criado na Alemanha) e "Combo 2" ou CCS2 (o mesmo encaixe com dois pinos adicionais para corrente contínua). A adoção, iniciada por volta de 2016 e consolidada com a chegada dos modelos chineses convertidos em 2020 e 2021, alinhou o Brasil à Europa, à Índia, à Austrália e a boa parte da América do Sul. Os Estados Unidos ficaram com o Tipo 1 e o CCS1 (e depois com o padrão da Tesla), o Japão com o CHAdeMO e a China com o GB/T. A norma pode ser adquirida no catálogo da ABNT.
A lista por marca
| Marca e modelos | Corrente alternada | Corrente contínua | Observação |
|---|---|---|---|
| BYD (Dolphin, Dolphin Mini, Seal, Yuan Plus, Song Plus, Tan, Han, King, Shark) | Tipo 2 | CCS2 (elétricos); híbridos sem DC | 7 kW AC nos compactos, 11 kW nos demais |
| GWM (Ora 03, Haval H6 PHEV) | Tipo 2 | CCS2 (Ora); H6 PHEV sem DC | Ora 03 aceita até 64 kW em DC |
| Volvo (EX30, XC40 e C40 Recharge, EX90) | Tipo 2 | CCS2 | EX30 aceita até 153 kW |
| BMW e Mini (iX, iX1, iX3, i4, i5, i7, Mini Cooper SE) | Tipo 2 | CCS2 | 11 kW AC; DC de 130 a 205 kW |
| Mercedes-Benz (EQA, EQB, EQE, EQS) | Tipo 2 | CCS2 | alguns com 22 kW AC opcional |
| Audi e Porsche (e-tron, Q8 e-tron, Q4, Taycan, Macan Electric) | Tipo 2 | CCS2 | Taycan e Macan em 800 V, até 270 kW |
| Renault (Kwid E-Tech, Megane E-Tech) | Tipo 2 | CCS2 | Kwid limitado a 30 kW em DC |
| Peugeot, Citroën e Fiat (e-208, e-2008, ë-C4, 500e) | Tipo 2 | CCS2 | Fiat 500e até 85 kW |
| Chevrolet (Bolt EV e EUV 2020 em diante, Blazer EV, Equinox EV) | Tipo 2 | CCS2 | Bolt importado 2017-2019 usa Tipo 1 |
| Hyundai e Kia (Ioniq 5, Kona Electric, EV6, EV5) | Tipo 2 | CCS2 | Ioniq 5 e EV6 em 800 V, até 230 kW |
| Toyota (bZ4X; híbridos plug-in RAV4 e Corolla Cross) | Tipo 2 | CCS2 no bZ4X; plug-ins sem DC | — |
| Jaguar e Land Rover (I-Pace, Range Rover PHEV) | Tipo 2 | CCS2 (I-Pace) | — |
| Tesla (Model 3, Model Y, importação oficial) | Tipo 2 | CCS2 | Tesla importado dos EUA usa o conector NACS |
| Nissan Leaf (todas as gerações) | Tipo 2 (2ª geração); Tipo 1 (1ª) | CHAdeMO | DC limitado a 50 kW |
| JAC (iEV20, iEV40, iEV60, E-JS1) | GB/T ou Tipo 2 (E-JS1) | GB/T | E-JS1 usa Tipo 2 e CCS2 |
| Caoa Chery (iCar, Tiggo 8 PHEV) | Tipo 2 | CCS2 (iCar) | — |
| Zeekr, Neta, Omoda e Jaecoo, Seres | Tipo 2 | CCS2 | convertidos para o padrão brasileiro |
A tabela reflete os modelos vendidos pelas marcas no Brasil até a data de publicação; versões importadas de forma independente podem trazer o conector do país de origem. Na dúvida, o manual do proprietário e a etiqueta na porta de recarga informam o conector.
Como identificar pela porta de recarga
Abra a tampa e olhe o desenho do encaixe. Um círculo achatado no topo com sete furos (dois maiores em cima, cinco menores) é o Tipo 2. Se abaixo desse círculo houver uma tampa menor escondendo dois furos grandes, a porta é CCS2: o Tipo 2 e o CCS2 dividem o mesmo espaço, e o cabo DC ocupa a porta inteira. Um encaixe redondo pequeno com cinco pinos e uma trava na parte de cima é Tipo 1. Um encaixe redondo grande com quatro pinos grossos e uma segunda porta separada é CHAdeMO. Um encaixe com sete pinos semelhante ao Tipo 2, mas com o formato dos furos e a posição da trava diferentes, é GB/T AC; a versão DC do GB/T tem nove pinos e não encaixa em CCS2.
Uma segunda pista é o ano e a origem: importados dos Estados Unidos anteriores a 2019 tendem a ser Tipo 1; Nissan Leaf é CHAdeMO; JAC antigo é GB/T; tudo o mais vendido oficialmente desde 2020 é Tipo 2 e CCS2. As fichas dos eletropostos por tomada mostram quantos pontos existem para cada conector, e a resposta prática é que 95% da rede pública brasileira atende Tipo 2 e CCS2.
Adaptadores: o que existe e o que não existe
- Tipo 2 para Tipo 1: existe, custa de R$ 400 a R$ 900, funciona em qualquer carregador AC Tipo 2 até 7,4 kW. É o adaptador de quem tem Bolt antigo ou Leaf de primeira geração.
- Tipo 1 para Tipo 2: não existe, porque a tomada Tipo 1 não tem os pinos das fases adicionais.
- CHAdeMO para CCS2: existe, importado, acima de R$ 5.000, homologado para poucos modelos e com limite de potência. Não é solução prática.
- CCS2 para CHAdeMO: não existe comercialmente.
- GB/T para CCS2: existe para AC (GB/T AC para Tipo 2) em versões de baixa qualidade; para DC, não há.
- Tesla NACS para CCS2: existe para carros Tesla importados dos EUA, mas as versões oficiais no Brasil já vêm com CCS2.
- Tomada industrial ou comum para Tipo 2: é o carregador portátil, não um adaptador. Com plugue NBR 14136 entrega 1,8 a 2,2 kW; com plugue industrial de 32 A, até 7 kW.
Adaptador em corrente alternada é seguro quando certificado, porque a comunicação entre carro e carregador continua funcionando e a corrente é limitada. Em corrente contínua, a comunicação é mais complexa (o carregador precisa saber a tensão e a corrente que a bateria aceita a cada segundo), e um adaptador mal projetado pode interromper a recarga ou danificar a eletrônica. Prefira sempre o conector nativo em DC.
Cabos: o que precisa ter no porta-malas
Todo carro elétrico vendido no Brasil vem com um carregador portátil com plugue de tomada comum. Muitos vêm também com um cabo Tipo 2 para Tipo 2, mas não todos; alguns fabricantes vendem à parte, por R$ 700 a R$ 1.500. Esse cabo é indispensável: a maior parte dos pontos Tipo 2 públicos é do tipo tomada, sem cabo preso. Escolha um cabo de 32 A trifásico e 5 metros: ele funciona em qualquer tomada Tipo 2 e não limita a potência; cabos de 16 A monofásicos travam a recarga em 3,7 kW.
Para carregadores DC não é preciso levar nada: o cabo é sempre preso ao equipamento. Para viagens, um adaptador de tomada industrial de 32 A para o carregador portátil resolve pernoites em pousadas e sítios, onde a tomada industrial azul é comum.
E os híbridos plug-in?
Híbridos plug-in (PHEV) têm porta Tipo 2 e, na maioria, não aceitam corrente contínua: a bateria é pequena (10 a 25 kWh) e o carregador de bordo fica em 3,7 kW ou 7 kW. Um Haval H6 PHEV, um Corolla Cross híbrido plug-in ou um Range Rover PHEV carregam em qualquer ponto AC, mas não usam os carregadores rápidos das rodovias. Alguns modelos recentes de BYD (Song Plus DM-i, King) e Mercedes trazem porta CCS2 e aceitam DC de 20 a 60 kW; confirme no manual. Na prática, o PHEV carrega em casa e usa a gasolina na estrada, e a lista de pontos CCS2 importa pouco para ele.
Elétricos leves, motos e veículos pesados
Motos e scooters elétricas usam quase sempre tomada comum ou carregador proprietário, não Tipo 2. Veículos pesados (ônibus e caminhões) no Brasil usam GB/T em potências altas ou CCS2 de alta corrente em modelos mais recentes; é por isso que alguns hubs, como os da Go Electric em São Bernardo do Campo, têm GB/T de 360 kW. Carrinhos e quadriciclos importados podem ter qualquer coisa; o manual manda.
Comprando um usado: o que conferir na porta
Num carro elétrico usado, a porta de recarga conta a história do veículo. Abra as duas tampas e verifique se os pinos estão limpos, sem oxidação verde ou marcas de arco elétrico (pontos escurecidos); teste a trava conectando um cabo Tipo 2 e tentando puxar; confira se a tampa inferior do CCS2 abre e fecha, porque ela quebra com facilidade e a peça custa caro. Peça ao vendedor uma recarga DC de teste em um eletroposto próximo: a potência mostrada no painel deve chegar perto do limite de fábrica (60 kW num Dolphin, 150 kW num Seal) com a bateria entre 20% e 50%. Potência muito abaixo disso indica bateria degradada ou problema no sistema de gerenciamento. Nos importados independentes, confirme o conector antes de fechar negócio: um carro com Tipo 1 ou NACS vai depender de adaptador para o resto da vida.
Cuidados com a porta e os cabos
A porta de recarga é a peça mais manuseada do carro depois da maçaneta. Mantenha as tampas fechadas quando não estiver carregando, para evitar água e poeira nos pinos; não use lubrificante em spray, que atrai sujeira e pode prejudicar o contato; e nunca force o conector se não encaixar de primeira, porque o pino de comunicação (o mais fino) entorta. No cabo Tipo 2, enrole sem dobrar junto ao conector e guarde na bolsa; um cabo com capa rachada deve ser aposentado. Em carregadores DC públicos, olhe o conector antes de encaixar: pinos queimados ou soltos no cabo do totem são sinal de equipamento com defeito, e vale trocar de tomada e relatar.
Perguntas frequentes sobre conectores
Meu carro tem CCS2, mas o eletroposto só tem CHAdeMO. Dá para carregar? Não, sem adaptador de alto custo. Procure outro ponto; a lista por CHAdeMO mostra que eles são minoria e quase sempre ficam em totens que também têm CCS2.
Posso usar um cabo Tipo 2 de outra marca? Sim. O conector é padronizado; qualquer cabo Tipo 2 certificado funciona em qualquer carro Tipo 2. A diferença está na corrente máxima (16 A ou 32 A, mono ou trifásico) e no comprimento.
O carregador de 22 kW carrega meu carro de 7 kW mais rápido? Não. O limite é o carregador de bordo do carro. Um carro de 7 kW recebe 7 kW em qualquer tomada AC, de 7 kW ou de 22 kW.
O CCS2 de 350 kW é perigoso para um carro que aceita 60 kW? Não. O carregador entrega só o que o carro pede, negociado a cada segundo pela comunicação entre os dois. É como um chuveiro com registro: a pressão disponível não muda quanta água sai.
Tesla oficial no Brasil usa o Supercharger? Os Tesla vendidos oficialmente vêm com CCS2 e carregam em qualquer eletroposto CCS2; a rede Supercharger, quando existir aqui, usará o mesmo conector.
Por que os carros chineses vendidos aqui não vêm com GB/T? Porque as fabricantes homologam a versão de exportação com o padrão do mercado de destino. BYD, GWM, Chery e as demais produzem a porta Tipo 2 e CCS2 para Europa, América Latina e Oceania, e é essa versão que chega ao Brasil. O GB/T ficou restrito à JAC de primeira geração, que importou o carro doméstico chinês sem conversão.
Lista de verificação antes de sair para carregar
- Sei qual é o meu conector AC e o meu conector DC (a porta e o manual dizem).
- O cabo Tipo 2 está no porta-malas, com 32 A trifásico.
- Conferi na ficha do eletroposto que existe uma tomada compatível e qual a potência.
- Se tenho Tipo 1, o adaptador está no carro; se tenho CHAdeMO ou GB/T, filtrei os pontos pelo conector.
- Instalei o app da rede do ponto, com cartão cadastrado.
O guia dos tipos de tomada detalha as potências de cada conector, e o passo a passo do eletroposto cobre a ativação. Se o seu modelo não está na tabela, envie pelo contato e a lista é atualizada.
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