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Como planejar uma viagem de carro elétrico: paradas, margem e plano B

Atualizado em 05/09/2026 · Eletropostos Brasil

Viajar de carro elétrico no Brasil ficou possível na maior parte do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste, e viável com planejamento no litoral do Nordeste. A diferença para um carro a combustão não está na distância total, e sim na disciplina: você decide onde vai parar antes de sair, tem um plano B para cada parada e viaja com margem. Este guia é o método que usamos no planejador de viagem do app, explicado para fazer à mão.

Passo 1: consumo real em estrada

O número que decide tudo é o consumo em kWh por 100 km a velocidade de rodovia. A etiqueta do Inmetro mede em ciclo combinado, com muita cidade; na estrada, a 110 km/h, o consumo sobe 20% a 30%. Um BYD Dolphin etiquetado em 13 kWh gasta 16 a 17 na rodovia; um Volvo EX30, 17 a 19; um BYD Seal, 16 a 18. Se você já viajou, use a média do computador de bordo. Se não, some 25% à etiqueta. Vento contra, chuva, serra e bagageiro de teto pioram tudo; um bagageiro de teto sozinho pode custar 15% de autonomia.

Passo 2: autonomia útil, não autonomia total

Ninguém viaja de 100% a 0%. Você sai de casa com 100%, mas nas paradas seguintes chega com 20% e sai com 80%: só 60% da bateria é usada entre carregadores. A conta é: bateria útil ÷ consumo × 100 × 0,6. Para um Dolphin de 44,9 kWh a 16,5 kWh por 100 km, a autonomia total é 272 km e a útil entre paradas é 163 km. Para um Seal de 82,5 kWh a 17 kWh por 100 km, 485 km totais e 291 km úteis. É esse segundo número que define o espaçamento das paradas.

ModeloBateria útilConsumo em estradaAutonomia totalEntre paradas (80% a 20%)
Renault Kwid E-Tech26,8 kWh15 kWh/100 km178 km107 km
BYD Dolphin44,9 kWh16,5 kWh/100 km272 km163 km
GWM Ora 0348 kWh17 kWh/100 km282 km169 km
Volvo EX3051 kWh18 kWh/100 km283 km170 km
BYD Seal82,5 kWh17 kWh/100 km485 km291 km

Passo 3: escolher as paradas

Abra o mapa da rota e marque os carregadores rápidos (CCS2, 50 kW ou mais) ao longo do caminho, usando as páginas de estado e cidade ou o filtro por tomada. A primeira parada pode ficar a até 80% da autonomia total (você saiu com 100%); as seguintes, a até 60%. Prefira pontos com dois ou mais cabos DC, porque um carregador único quebrado ou ocupado vira um problema; e prefira pontos com relato recente de "funcionou". Para cada parada, anote um plano B: outro ponto DC a menos de 40 km à frente ou atrás, ou, na falta, um ponto AC onde uma hora renda o suficiente para chegar ao próximo DC.

Em trechos com poucos carregadores (interior do Nordeste, Norte, parte do Centro-Oeste), inverta a lógica: escolha primeiro onde vai dormir, de preferência em hotel com tomada, e encaixe a rota nas paradas DC existentes, mesmo que a distância entre elas seja curta. Uma parada extra de 20 minutos custa menos que um guincho.

Passo 4: apps, cabos e o que levar

Instale e cadastre, com cartão, o app de cada rede presente no trajeto: a ficha de cada ponto mostra a operadora. Cinco redes cobrem a maioria das rodovias do Sul e do Sudeste; no Nordeste, o litoral tem Tupinambá, BR Super Carga e Yellotmob. Leve o cabo Tipo 2 e o carregador portátil com plugue para tomada comum e, se possível, um adaptador para tomada industrial: hotéis de beira de estrada raramente têm wallbox, mas quase todos têm uma tomada de 220 V no estacionamento. O passo a passo do eletroposto lista o que fazer se o carregador não liberar.

Passo 5: na estrada

Dirija a 100 ou 110 km/h nos trechos longos: a diferença de tempo para 120 km/h é pequena e a de consumo é grande. Chegue às paradas com 15% a 20% e carregue até 80%, porque acima disso a potência cai e o tempo parado dobra; a conta do tempo mostra o porquê. Se depois de 50 km o consumo real estiver 10% acima do previsto, recalcule a próxima parada ali mesmo. Com o carro conectado, relate no app se o ponto funcionou; é a informação que o próximo viajante vai usar.

Exemplo: São Paulo a Florianópolis num Dolphin

São 700 km pela BR-116 e pela BR-101, num Dolphin de 44,9 kWh a 16,5 kWh por 100 km (272 km totais, 163 km úteis entre paradas). Saída às 6h com 100%. Primeira parada a até 80% da autonomia total, cerca de 215 km: um carregador DC na região de Registro (SP), chegada com 20%, 30 minutos até 80%. Segunda parada 160 km adiante, perto de Curitiba, com plano B nos pontos da própria capital: outros 30 minutos. Terceira parada 160 km depois, em Joinville ou Itajaí, e chegada em Florianópolis com 25% de sobra. Tempo total: 8 horas de estrada e 1h30 de recarga, três paradas de 30 minutos que coincidem com café, almoço e lanche. Com um Seal (291 km úteis), são duas paradas de 25 minutos. Se você prefere dormir no caminho, um hotel com wallbox em Curitiba elimina uma parada rápida e o carro sai cheio no dia seguinte. Antes de repetir esse roteiro, confira nas páginas de Paraná e Santa Catarina quais pontos têm relato recente de funcionamento: a lista de carregadores muda toda semana.

Os corredores mais servidos

Os trechos com carregadores rápidos a cada 100 km ou menos são a Dutra (São Paulo-Rio), a Fernão Dias (São Paulo-Belo Horizonte), a BR-116 e a BR-101 entre São Paulo e Porto Alegre, a Bandeirantes e a Anhanguera no interior paulista, a BR-040 entre Belo Horizonte e Brasília e a BR-060 entre Brasília e Goiânia. No Nordeste, a BR-101 entre Salvador e Natal tem cobertura razoável nas capitais e lacunas de 200 km ou mais entre elas. O Norte depende de poucos pontos nas capitais. A lista atual por rodovia muda toda semana com a base; consulte as estatísticas por estado e as páginas de cada cidade da rota.

Checklist da véspera

Regras e segurança

Em rodovia federal, parar no acostamento por falta de carga é infração prevista no Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503, de 1997), além de perigoso; a margem de 20% existe para isso não acontecer. O reboque de um carro elétrico exige plataforma (não se rebocam com as rodas no chão modelos sem neutro mecânico), e a maioria das seguradoras já oferece assistência com plataforma; confirme antes de sair. O texto do CTB está no portal do Planalto.

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