Eletropostos Brasilonde carregar seu carro elétrico
Totens de carregadores rápidos de diferentes redes lado a lado em um estacionamento

Comparativo das redes de recarga: Yellotmob, EZVolt, BR Super Carga, Tupinambá, Zletric, EDP e Enel X

28/08/2026 · Equipe Eletropostos Brasil · redes, comparativo, operadoras

Cobertura por estado, potência, preço declarado por kWh, forma de ativação, taxas e o que os usuários mais reclamam em cada rede, com os números da base pública.

Não existe "a rede" de recarga no Brasil; existem umas quarenta, cada uma com o próprio aplicativo, o próprio preço e a própria ideia de onde vale instalar carregador. Para o motorista, isso significa cinco apps no celular e a pergunta de sempre antes de uma viagem: qual rede cobre este trecho e quanto ela cobra? Este comparativo usa os números da base pública do Eletropostos Brasil (Open Charge Map, OpenStreetMap e cadastros da comunidade) para as sete redes com mais pontos, e acrescenta o que aparece nas avaliações dos aplicativos de cada uma. Os números são os da base na data de publicação; as fichas de cada rede mostram a contagem atual.

Como as redes se organizam

Há três modelos de negócio. As redes puras, como Yellotmob, EZVolt, Tupinambá e Zletric, instalam e operam carregadores em locais de terceiros (postos, shoppings, estacionamentos) e vivem da venda de recarga; tendem a ter cobertura ampla e preço de mercado. As redes de distribuidoras de energia, como EDP Smart, Enel X, Copel, Neoenergia e Amazônia Eletrovias (do grupo Amazonas Energia e parceiros), usam a recarga como extensão do negócio de energia; tendem a ter pontos em corredores estratégicos, às vezes com preço menor ou gratuito em fase de lançamento. E as redes de combustível, como BR Super Carga (Vibra), Ipiranga e Shell Recharge, colocam carregadores rápidos nos próprios postos de rodovia; tendem a ter DC de alta potência e horário 24 horas. Todas operam sob a regra da Resolução Normativa ANEEL nº 1.000, de 2021, que permite a qualquer interessado prestar recarga com preço livre; a norma está no site da ANEEL.

Ilustração com barras comparando a quantidade de eletropostos das sete maiores redes do Brasil
Cobertura das principais redes por número de pontos e de estados

Os números

RedePontos na baseCom DCEstadosMaior potênciaPreço declarado (R$/kWh)Ativação
Yellotmob3211309120 kW2,50app, QR code
EZVolt933212210 kW1,77 a 1,97app ou cartão por aproximação em parte dos pontos
BR Super Carga78769180 kW1,60 a 2,50 (mais ativação de R$ 2,90 a R$ 5,90)app, seleção do ponto
Tupinambá46439180 kW1,79 a 4,00app ou cartão por aproximação
Enel X312312150 kWnão declaradoapp
Amazônia Eletrovias296não declaradoapp
EDP Smart24163350 kW2,20app
Zletric1413590 kW1,99 a 3,50app

Dois avisos sobre a tabela. Primeiro, a contagem é o que está publicado em fontes abertas; as redes têm pontos não cadastrados, e a Tupinambá, por exemplo, declara no próprio site um número bem maior do que os 46 da base. Segundo, o preço "declarado" é o informado por usuários ou pela rede no cadastro, não uma tabela oficial; as redes mudam preços sem aviso, e a faixa larga da Tupinambá e da BR Super Carga reflete pontos diferentes (potência, horário, local) mais do que inconsistência.

Yellotmob: a maior cobertura

A rede com mais pontos na base, concentrada em Goiás, no Distrito Federal, em São Paulo e em Minas Gerais, com forte presença em shoppings, supermercados e estacionamentos urbanos. Metade dos pontos é AC, o que faz dela a rede da rotina urbana mais do que da viagem. Preço uniforme de R$ 2,50 por kWh nos pontos declarados, sem taxa de ativação relatada. O que os usuários mais elogiam é a quantidade de pontos; o que mais reclamam é a proporção de carregadores fora de operação em pontos AC de estacionamento e a demora do suporte. Veja a lista completa da Yellotmob.

EZVolt: presença nacional e o cartão por aproximação

A rede com maior espalhamento geográfico, com pontos em doze estados, incluindo o Nordeste. Mistura AC em hotéis e shoppings com DC de até 210 kW em rodovias, e foi das primeiras a aceitar cartão de crédito por aproximação direto no carregador, o que resolve a maior reclamação de todas as redes: o cadastro no app. Preço na faixa mais baixa entre as grandes, R$ 1,77 a R$ 1,97 por kWh nos pontos declarados. As reclamações se concentram em pontos AC antigos de baixa potência e em falhas de comunicação em locais com sinal fraco. Lista da EZVolt.

BR Super Carga: a rede das rodovias

Quase todos os 78 pontos são DC, em postos Petrobras (Vibra) de rodovia e de grandes cidades, com potências de 60 kW a 180 kW e funcionamento 24 horas. É a rede que mais aparece nos planos de viagem no Sudeste, no Sul e no litoral do Nordeste, onde tem pontos em Maceió, Recife e Fortaleza. O preço varia por ponto e por horário (alguns cobram menos entre 21h e 8h) e há taxa de ativação por sessão em boa parte dos pontos, o que penaliza recargas curtas. As reclamações mais comuns são a taxa de ativação e a divisão de potência entre os dois cabos do mesmo totem, que cai para a metade com dois carros. Lista da BR Super Carga.

Tupinambá: potência e atendimento

Rede de DC de alta potência (até 180 kW) em rodovias e centros urbanos de nove estados, com o diferencial do cartão por aproximação e de um suporte que os usuários avaliam bem. A faixa de preço declarada é a mais larga, de R$ 1,79 a R$ 4,00, porque a rede pratica valores diferentes por local e por potência e cobra taxa de ociosidade por minuto depois do fim da sessão. As reclamações se concentram justamente na ociosidade (cobrada mesmo com tolerância curta) e no preço dos pontos de rodovia. Lista da Tupinambá.

EDP Smart, Enel X e as redes de distribuidoras

A EDP Smart opera o corredor mais potente do país, com pontos de 350 kW em São Paulo e no Espírito Santo, preço declarado de R$ 2,20 por kWh, cobertura restrita a três estados. A Enel X, presente em doze estados por meio de parcerias com shoppings e concessionárias, tem potência de até 150 kW e não declara preço na base; parte dos pontos foi gratuita no lançamento e passou a cobrar depois. A Copel (Paraná), a Neoenergia (Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Brasília), a Amazônia Eletrovias (Norte) e a Creluz (Rio Grande do Sul) completam o grupo, com pontos em corredores que as redes puras ainda não cobrem, o que as torna decisivas em viagens fora do eixo Sul-Sudeste. A página de cada estado mostra quais redes operam ali.

Zletric e as redes regionais

A Zletric tem presença forte no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com DC de até 90 kW e preços de R$ 1,99 a R$ 3,50; usuários elogiam a confiabilidade dos pontos e reclamam da cobertura fora do Sul. Redes menores, como VAPT, Zeta Uno, DCC Energy, Go Electric, OnCharge, Move e WeCharge, têm de 6 a 14 pontos cada e quase sempre um foco: hubs para frotas, corredores específicos ou cidades do interior. Elas importam porque muitas vezes são a única opção num trecho, e o cadastro no app delas deve ser feito antes de sair.

O que os usuários mais reclamam, em todas

Numa análise de 1.300 avaliações dos aplicativos das principais redes e dos mapas de recarga na loja de apps, os temas se repetem em proporções parecidas: cadastro e login (21% das reclamações), pagamento e cobrança (20%), falhas do app (12%), carregador quebrado ou fora de operação (12%) e suporte (9%). Traduzido: a experiência falha mais na camada de software e atendimento do que no equipamento. As redes que aceitam cartão por aproximação eliminam as duas primeiras categorias de uma vez, e é por isso que essa funcionalidade pesa tanto na escolha. A segunda maior fonte de frustração, carregador fora de operação sem aviso no app, é o que os relatos da comunidade no app Eletropostos Brasil tentam resolver: o status de "quebrado" vem de quem acabou de tentar usar, não do cadastro da rede.

Como escolher, na prática

Preço: o que a faixa esconde

Comparar redes pelo preço declarado engana em dois sentidos. O primeiro é a taxa fixa: uma rede a R$ 1,60 por kWh com R$ 5,90 de ativação custa, numa recarga de 20 kWh, R$ 37,90, ou R$ 1,90 por kWh efetivo, mais do que uma rede a R$ 1,85 sem taxa. Em recargas de 40 kWh a conta se inverte. O segundo é o horário: redes que cobram menos de madrugada favorecem quem viaja à noite e penalizam o horário comercial. Para comparar, calcule o custo total da sessão que você costuma fazer (kWh típico mais taxas) em cada rede, não o preço unitário. E lembre que a diferença entre a rede mais barata e a mais cara, na mesma sessão de 30 kWh, fica entre R$ 15 e R$ 40: relevante em viagem, irrelevante perto do custo de carregar em casa, que é um terço de qualquer uma delas.

Confiabilidade: o que os relatos mostram

A base do Eletropostos Brasil cruza os cadastros com o status publicado pelo Carregados, que acompanha centenas de pontos com índice de confiabilidade, e com os relatos de "funcionou" e "quebrado" enviados pelo app. O padrão que aparece: pontos DC de rodovia das redes de combustível e da Tupinambá têm confiabilidade acima de 90%, porque são vistoriados com frequência e ficam em locais com equipe no local 24 horas; pontos AC de estacionamento urbano, de qualquer rede, ficam entre 70% e 85%, porque dependem do estabelecimento para reportar defeito e o reparo demora. Para viagem, isso significa priorizar pontos de posto e hubs de rede; para a rotina, ter dois pontos AC alternativos perto de casa. As fichas dos eletropostos mostram o índice do Carregados quando existe e o último relato da comunidade com data.

O que ainda falta no Brasil

Roaming. Na Europa, o Hubject e os acordos entre operadoras permitem usar o app de uma rede para carregar na outra; aqui, cada rede é uma ilha, e o motorista carrega a integração no bolso, na forma de cinco aplicativos. Algumas redes brasileiras já aderiram a plataformas de roaming, mas a cobertura prática ainda é pequena. Transparência de preço é o segundo ponto: poucas redes publicam a tabela completa fora do app, e o preço só aparece na hora de ativar. Enquanto isso não muda, a ficha de cada eletroposto neste site mostra o preço declarado quando existe, e os usuários podem corrigir pelo app ou pelo contato. A terceira lacuna é a disponibilidade em tempo real: a maioria das redes não expõe se o carregador está livre ou ocupado fora do próprio app, e o planejamento de viagem depende de sorte ou de relatos da comunidade.

Um sinal de amadurecimento é a chegada de redes de combustível ao interior: Ipiranga e Petrobras já aparecem na base com pontos DC fora das capitais, e a tendência é que os corredores do Centro-Oeste e do Nordeste fechem as lacunas de 200 km nos próximos anos.

Metodologia

Os números de pontos, DC, estados e potência vêm da base do Eletropostos Brasil, regerada semanalmente a partir do Open Charge Map e do OpenStreetMap mais cadastros verificados no app. O preço é o declarado nos cadastros; pontos sem preço não entram na faixa. As reclamações vêm de avaliações públicas na loja de aplicativos, classificadas por tema. As redes podem divergir dos números aqui apresentados e são bem-vindas a enviar a lista oficial de pontos pela página da API, que aceita feeds OCPI e CSV para atualização automática.

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