Quanto tempo leva para carregar um carro elétrico: tabela por potência, de 2 kW a 350 kW
Tempo de 10% a 80% e de 0% a 100% em tomada comum, wallbox, carregador semirrápido e rápido, para baterias de 27 a 100 kWh, com a explicação de por que os últimos 20% demoram tanto.
"Quanto tempo leva?" é a pergunta que mais aparece nas fichas dos eletropostos, e a resposta honesta é "depende de três números": o tamanho da bateria, a potência que o carregador entrega e a potência que o carro aceita. Com esses três, a conta fica simples, e este artigo entrega o resultado pronto numa tabela que vai da tomada de parede de 2 kW ao carregador de rodovia de 350 kW, para baterias de 27 a 100 kWh. Depois, explica o que a tabela não mostra: a curva de carga, a temperatura e a razão de os últimos 20% demorarem tanto quanto os 60% anteriores.
A conta em uma linha
Tempo em horas = energia a repor em kWh ÷ potência efetiva em kW. A energia a repor é a capacidade útil da bateria multiplicada pela fatia de carga (de 10% a 80% são 70%, ou 0,7). A potência efetiva é o menor valor entre o que o eletroposto entrega e o que o carro aceita, descontadas as perdas: 10% em corrente alternada, 8% em corrente contínua. Um exemplo: bateria de 60 kWh, de 10% a 80%, num carregador de 50 kW e num carro que aceita 100 kW. Energia: 42 kWh. Potência efetiva: 50 kW (o carregador limita) × 0,92 = 46 kW. Tempo: 42 ÷ 46 = 0,91 hora, ou 55 minutos.
A tabela: de 10% a 80%
Tempos em minutos, com as perdas incluídas, supondo que o carro aceita a potência da coluna. Onde o carro aceita menos, use a coluna da potência dele.
| Bateria útil | 2,2 kW (tomada) | 3,7 kW | 7,4 kW (wallbox) | 11 kW | 22 kW | 50 kW (DC) | 100 kW | 150 kW | 250 kW |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 27 kWh (Kwid E-Tech) | 9 h 32 | 5 h 40 | 2 h 50 | 1 h 55 | 57 min | 25 min | 12 min | 8 min | 5 min |
| 38 kWh (Dolphin Mini) | 13 h 26 | 7 h 59 | 4 h 00 | 2 h 41 | 1 h 21 | 35 min | 17 min | 12 min | 7 min |
| 45 kWh (Dolphin) | 15 h 54 | 9 h 27 | 4 h 44 | 3 h 11 | 1 h 35 | 41 min | 21 min | 14 min | 8 min |
| 51 kWh (EX30) | 18 h 01 | 10 h 43 | 5 h 21 | 3 h 36 | 1 h 48 | 47 min | 23 min | 16 min | 9 min |
| 60 kWh (Yuan Plus) | 21 h 12 | 12 h 36 | 6 h 18 | 4 h 14 | 2 h 07 | 55 min | 27 min | 18 min | 11 min |
| 75 kWh (iX1, Ioniq 5) | 26 h 30 | 15 h 46 | 7 h 53 | 5 h 18 | 2 h 39 | 1 h 08 | 34 min | 23 min | 14 min |
| 82,5 kWh (Seal) | 29 h 10 | 17 h 20 | 8 h 40 | 5 h 50 | 2 h 55 | 1 h 15 | 38 min | 25 min | 15 min |
| 100 kWh (iX, EQS) | 35 h 21 | 21 h 01 | 10 h 31 | 7 h 04 | 3 h 32 | 1 h 31 | 46 min | 30 min | 18 min |
As colunas de corrente alternada (até 22 kW) valem para carregar em casa, no trabalho e nos pontos AC das cidades; as de corrente contínua (50 kW em diante) valem para os carregadores rápidos CCS2. Os tempos em DC são o piso: numa sessão real, a curva de carga adiciona de 10% a 25%.
De 0% a 100%: por que não é o dobro
Em corrente alternada, a potência é constante do início ao fim, e carregar de 0% a 100% leva 1,43 vez o tempo de 10% a 80% (100 ÷ 70). Uma wallbox de 7,4 kW enche um Dolphin em 6 h 45 e um Seal em 12 h 20. Em corrente contínua, a história é outra. O sistema de gerenciamento da bateria controla a corrente conforme o estado de carga: entre 10% e 50%, o carregador entrega perto do máximo; de 50% a 80%, a potência cai em degraus; de 80% a 100%, cai para 20% a 30% do pico. Num Dolphin em carregador de 60 kW, os primeiros 70% levam 34 minutos e os últimos 20% levam outros 25 a 35. É por isso que o planejamento de viagem para em 80%: os 20% finais custam metade do tempo total e devolvem pouca autonomia. A calculadora aplica esse aviso quando a faixa passa de 80%.
O carro é o limite mais comum
A coluna do carregador só vale se o carro aceitar aquela potência. Em corrente alternada, o limite é o carregador de bordo: 7 kW no Dolphin, no Dolphin Mini, no Kwid E-Tech e no Ora 03 de entrada; 11 kW no Seal, no EX30, no iX1, no Megane E-Tech e na maioria dos SUVs; 22 kW em raríssimos modelos. Uma tomada de 22 kW carrega um Dolphin em 4 h 44, igual a uma wallbox de 7,4 kW, porque o carro não recebe mais do que 7 kW. Em corrente contínua, o limite é o sistema da bateria: 30 kW no Kwid, 40 kW no Dolphin Mini, 60 kW no Dolphin, 64 kW no Ora 03, 150 kW no Seal, 153 kW no EX30, 230 kW no Ioniq 5, 270 kW no Taycan. Um Dolphin num carregador de 150 kW carrega nos mesmos 41 minutos que num de 60 kW. Os limites de fábrica estão no manual e na etiqueta do Inmetro, cujo programa de etiquetagem veicular é descrito no site do instituto.
| Modelo | Bateria útil | AC máximo | DC máximo | 10% a 80% no melhor caso em DC | 0% a 100% em wallbox 7,4 kW |
|---|---|---|---|---|---|
| Renault Kwid E-Tech | 26,8 kWh | 7 kW | 30 kW | 41 min | 4 h 02 |
| BYD Dolphin Mini | 38 kWh | 7 kW | 40 kW | 43 min | 5 h 43 |
| BYD Dolphin | 44,9 kWh | 7 kW | 60 kW | 34 min | 6 h 45 |
| GWM Ora 03 | 48 kWh | 11 kW | 64 kW | 34 min | 7 h 13 |
| Volvo EX30 | 51 kWh | 11 kW | 153 kW | 15 min | 7 h 40 |
| BYD Seal | 82,5 kWh | 11 kW | 150 kW | 25 min | 12 h 24 |
Temperatura, bateria fria e bateria quente
Células de íon-lítio carregam devagar quando frias. Abaixo de 15 °C na bateria, o sistema corta a corrente para proteger as células, e um carregador de 150 kW pode entregar 40 kW nos primeiros minutos de uma manhã de inverno gaúcho. Carros com pré-condicionamento aquecem a bateria quando o navegador aponta para um carregador rápido; se o seu tem a função, ligue 15 a 20 minutos antes de chegar. No outro extremo, uma bateria acima de 45 °C, comum depois de horas de rodovia no calor do Nordeste, também recebe menos até o sistema de refrigeração baixar a temperatura. Na tabela, isso aparece como o acréscimo de 10% a 25% mencionado acima; em dia extremo, pode ser mais.
Carregador compartilhado e potência nominal
Muitos totens de corrente contínua têm dois cabos e uma fonte só. Um "120 kW" com dois carros conectados entrega 60 kW para cada; um "180 kW" pode dividir 120 e 60 conforme a ordem de chegada. As fichas dos eletropostos mostram a potência nominal do cadastro; a potência real da sessão depende de quem mais está carregando. Em rodovia cheia, conte com a metade. Em corrente alternada, a potência nominal da tomada também pode estar limitada pela instalação do local: um carregador de 22 kW ligado num circuito monofásico de 32 A entrega 7 kW.
Quilômetros por minuto: a régua da viagem
Para decidir onde parar, o número útil é quantos quilômetros cada minuto de parada devolve. Divida a potência efetiva pelo consumo. Um Dolphin (16,5 kWh por 100 km em estrada) a 55 kW de média ganha 5,5 km por minuto; a 7 kW, 0,7 km por minuto. Um Seal (17 kWh por 100 km) a 130 kW de média ganha quase 13 km por minuto. Isso explica por que uma parada de 20 minutos em carregador rápido vale mais do que uma hora em ponto AC de shopping, e por que um carregador de 60 kW a 5 km da rota rende mais quilômetros por minuto total do que um de 150 kW a 40 km de desvio. O guia de viagem usa essa régua para espaçar as paradas.
Casos práticos
- Pernoite em hotel com tomada comum (2,2 kW), Dolphin chegando com 30%: dez horas rendem 20 kWh, e o carro sai com 75%. Suficiente para 200 km de estrada até o próximo carregador rápido.
- Trabalho com wallbox de 7,4 kW, oito horas: enche qualquer bateria até 60 kWh a partir de 20%; um Seal sai com 85%.
- Almoço de uma hora em ponto AC de 22 kW, carro de 11 kW: 10 kWh, cerca de 60 km. Bom complemento, não substitui a recarga rápida.
- Parada de rodovia em 60 kW, Dolphin de 15% a 80%: 32 minutos no papel, 38 a 42 com a curva de carga. Tempo de um café e banheiro.
- Parada de rodovia em 150 kW, Seal de 10% a 80%: 25 minutos no papel, 30 a 35 reais, com a bateria aquecida pela estrada.
- Carregador de 350 kW com carro de 60 kW: 41 minutos, os mesmos de um carregador de 60 kW. Pagar mais caro pelo ponto ultrarrápido não compensa para esse carro.
Híbridos plug-in: a conta é outra
Um híbrido plug-in tem bateria de 10 a 25 kWh e carregador de bordo de 3,7 kW ou 7 kW, e quase nunca aceita corrente contínua. A tabela para ele é curta: um PHEV de 18 kWh de 20% a 100% leva 4 h 20 a 3,7 kW e 2 h 10 a 7 kW; numa tomada comum de 2,2 kW, 7 h 15, o que cabe na noite. A recarga rápida das rodovias não existe para ele, e não faz falta: na estrada o motor a combustão assume. O erro comum é comprar um PHEV e não carregar nunca, usando-o como híbrido convencional pesado; a bateria só compensa se for enchida todas as noites, e para isso uma tomada de 20 A na garagem basta.
O tempo que não aparece na tabela
Numa parada real de rodovia, some ao tempo de recarga o que vem antes e depois: encontrar a vaga, abrir o app, ler o QR code, esperar o "aperto de mão" entre carregador e carro (10 a 60 segundos, às vezes uma segunda tentativa), e ao fim encerrar a sessão, guardar o cabo e sair. São 4 a 8 minutos por parada, que num roteiro de três paradas viram quase meia hora. Redes com cartão por aproximação e carregadores com cabo que reconhece o carro sem app cortam boa parte disso. Some também a fila: em feriado prolongado, os pontos DC das rodovias do Sudeste têm espera de 10 a 30 minutos nos horários de pico, e um ponto com quatro cabos vale mais do que um com dois. As fichas dos eletropostos mostram a quantidade de cabos por conector, e o app registra os relatos de "ocupado" da comunidade.
Como ler a estimativa nas fichas do site
Cada ficha de eletroposto do Eletropostos Brasil traz uma tabela de 10% a 80% para seis modelos de referência, calculada com a potência do ponto e o limite de cada carro, com as perdas incluídas. Trate os números como piso e some 10% a 25% em corrente contínua. Para o seu carro, com a bateria e o limite que você informar, use a calculadora, que também mostra o custo estimado da sessão pelo preço mediano da base. E, para escolher o ponto, a lista de eletropostos por estado ordena os carregadores de cada cidade da maior para a menor potência.
Perguntas frequentes
Carregar sempre em carregador rápido estraga a bateria? A recarga rápida gera mais calor e, em uso exclusivo por anos, acelera um pouco a perda de capacidade. Os fabricantes projetam a bateria para isso e cobrem com garantia de oito anos ou 160 mil km na maioria dos modelos; alternar com recarga em casa é o ideal, mas usar DC quando precisa não é problema.
Por que o painel diz "20 minutos" e demora 35? Porque a estimativa do carro usa a potência do momento, que cai conforme a bateria enche. Estimativas feitas a 30% de carga são otimistas.
Devo esperar chegar a 0% para carregar? Não. Não há efeito memória em íon-lítio; carregar de 40% a 80% várias vezes é melhor para a bateria do que ciclos completos.
Vale limitar a 80% em casa também? Para baterias de níquel (NMC), sim, no dia a dia; para baterias de fosfato de ferro (LFP, usadas por BYD e em vários modelos chineses), os fabricantes recomendam carregar a 100% com regularidade para calibrar o indicador.
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