BYD Dolphin: autonomia real na cidade e na estrada, tempo de recarga e onde carregar
Consumo medido em uso urbano, rodovia e serra, autonomia por cenário, limites de 7 kW e 60 kW, tempo em cada tipo de carregador e os pontos que fazem sentido para o modelo.
O BYD Dolphin é, desde 2023, o carro elétrico mais comum nos eletropostos brasileiros, e por isso é também o modelo sobre o qual mais chegam perguntas: quanto ele anda de verdade, por que carrega "só" a 60 kW num carregador de 150 kW, se vale a pena a versão Plus, e em que pontos parar. Este artigo reúne consumos medidos em uso real, as contas de autonomia por cenário e o tempo de recarga em cada tipo de carregador, para quem tem o carro ou está decidindo. Os números de fábrica vêm da etiqueta de eficiência energética do Inmetro e do manual; os de uso real, de medições em viagem e em rotina urbana com o computador de bordo.
As versões e o que muda
| Versão | Bateria (LFP) | Potência do motor | AC máximo | DC máximo | Autonomia Inmetro (aprox.) |
|---|---|---|---|---|---|
| Dolphin Mini | 38 kWh | 75 cv | 7 kW | 40 kW | 280 km |
| Dolphin (GS) | 44,9 kWh | 95 cv | 7 kW | 60 kW | 290 km |
| Dolphin Plus | 60,5 kWh | 204 cv | 11 kW | 88 kW | 340 km |
A bateria dos três é de fosfato de ferro-lítio (LFP), a química que tolera bem carga a 100% e ciclos frequentes, com menor densidade energética do que as baterias de níquel; por isso o Dolphin é pesado para o tamanho e por isso a BYD recomenda carregar a 100% regularmente para calibrar o indicador. Os valores de autonomia do Inmetro são do ciclo combinado, com predominância de cidade, e servem para comparar carros, não para planejar viagem.
Consumo e autonomia por cenário
Os números abaixo são do Dolphin de 44,9 kWh, com pneus na pressão recomendada e ar-condicionado em 22 °C. Em cidade, com trânsito e regeneração, o consumo fica entre 11 e 13 kWh por 100 km; a autonomia real passa de 350 km, acima da etiqueta. Na rodovia, a resistência do ar domina: a 100 km/h, 15 a 16 kWh; a 110, 16,5 a 17,5; a 120, 19 a 20. Serra com subida longa, como a Rodovia dos Imigrantes ou a Serra do Rio do Rastro, sobe o consumo para 22 a 25 no trecho de subida e devolve parte na descida pela regeneração. Chuva forte custa 5% a 8%; vento contra de 30 km/h, até 15%; bagageiro de teto, 12% a 18%.
| Cenário | Consumo (kWh/100 km) | Autonomia total (44,9 kWh) | Entre paradas (80% a 20%) |
|---|---|---|---|
| Cidade, trânsito moderado | 12 | 374 km | 224 km |
| Rodovia a 100 km/h | 15,5 | 290 km | 174 km |
| Rodovia a 110 km/h | 17 | 264 km | 158 km |
| Rodovia a 120 km/h | 19,5 | 230 km | 138 km |
| Rodovia a 110 km/h com chuva e vento | 19,5 | 230 km | 138 km |
| Serra, subida contínua de 700 m | 24 | 187 km (no trecho) | — |
A linha que importa para viagem é a última coluna: a 110 km/h, o Dolphin anda 158 km entre uma parada e outra com margem de 20%. É o número para espaçar os carregadores, como faz o guia de viagem.
Os dois limites de recarga: 7 kW e 60 kW
O Dolphin de 44,9 kWh aceita no máximo 7 kW em corrente alternada e 60 kW em corrente contínua. O primeiro limite define a recarga em casa: uma wallbox de 7,4 kW enche a bateria de 20% a 100% em 5 h 45, e uma de 11 kW ou 22 kW não acelera nada. O segundo define a viagem: num carregador de 60 kW, de 10% a 80% em 34 minutos no papel e 38 a 42 na prática; num carregador de 150 kW, exatamente o mesmo tempo, porque o carro não aceita mais. Por isso não vale pagar mais caro por ponto ultrarrápido com o Dolphin; um carregador de 60 kW barato e livre rende o mesmo. A curva de carga é típica de LFP: sobe rápido para 55 a 60 kW até 50%, cai para 40 kW por volta de 70% e para 20 kW acima de 85%. O Dolphin Plus aceita 88 kW em DC e 11 kW em AC, o que corta o tempo de 10% a 80% para cerca de 33 minutos apesar da bateria maior.
| Carregador | Potência recebida | 20% a 100% (AC) ou 10% a 80% (DC) | km recuperados por hora (rodovia) |
|---|---|---|---|
| Tomada comum 220 V, 10 A | 2,2 kW | 18 h | 12 km |
| Tomada industrial 32 A ou wallbox | 7 kW | 5 h 45 | 38 km |
| Ponto AC de 22 kW | 7 kW (limite do carro) | 5 h 45 | 38 km |
| DC de 40 kW | 40 kW | 51 min | 215 km |
| DC de 60 kW | 55 a 60 kW | 34 a 42 min | 310 km |
| DC de 150 kW ou mais | 60 kW (limite do carro) | 34 a 42 min | 310 km |
Onde carregar: os pontos que fazem sentido para o Dolphin
Como o carro não passa de 60 kW, o critério para escolher o ponto de viagem não é a potência máxima, e sim disponibilidade e preço: prefira pontos de 60 kW ou mais com dois ou mais cabos, deixando os hubs de 150 kW e 350 kW, mais caros, para quem os aproveita. A lista de eletropostos CCS2 ordena por potência; para o Dolphin, tudo acima de 60 kW é equivalente. Em cidade, os pontos AC gratuitos de shopping e supermercado rendem 38 km por hora, o que cobre o uso diário de quem não tem wallbox: duas horas de compras semanais repõem 75 km. A página de cada estado e cidade lista os pontos AC e marca os que declaram custo zero.
Uma semana típica sem wallbox
Quem tem um Dolphin em apartamento sem tomada na vaga costuma montar a rotina em torno de dois ou três pontos fixos. Um exemplo comum em capitais: 45 km por dia entre casa, trabalho e escola, 225 km por semana, cerca de 27 kWh a 12 kWh por 100 km. Uma recarga de duas horas num ponto AC gratuito de supermercado no sábado repõe 14 kWh; outra hora e meia num shopping durante a semana, mais 10 kWh; o restante vem de uma recarga DC de 20 minutos a cada duas semanas, quando a bateria chega a 30%. Custo mensal: perto de R$ 60 em DC e zero no resto, contra R$ 250 de gasolina para os mesmos 900 km. O tempo, seis horas semanais em estacionamento, é o que precisa caber na rotina; quem não o tem acaba dependendo do DC toda semana, e aí o custo sobe para R$ 150 e o desgaste por calor aumenta. A página da sua cidade em eletropostos por estado lista os pontos AC e mostra quais declaram custo zero.
Viagem de 500 km com o Dolphin: a conta rápida
Saída com 100%, primeira parada a até 200 km (chegada com 25% a 110 km/h), recarga até 80% em 35 a 40 minutos, segunda parada 155 km adiante, outra recarga igual, e chegada com 20% de sobra depois de mais 145 km. Duas paradas, 1 h 15 de recarga, R$ 130 em energia a R$ 2,40 por kWh. Se a rota tem um ponto de 60 kW ou mais a cada 150 km, a viagem é tranquila; se o intervalo passa de 200 km em algum trecho, reduza para 100 km/h nesse trecho e o consumo cai de 17 para 15,5 kWh, o que estica a autonomia útil para 175 km. Em trechos de 250 km sem DC, a alternativa é uma parada AC longa (uma hora em 7 kW rende 38 km) ou o pernoite com tomada. O app do Eletropostos Brasil calcula as paradas a partir da autonomia útil que você informar e exclui pontos marcados como desativados.
Custo por quilômetro
Com 12 kWh por 100 km em cidade e energia em casa a R$ 0,90, o Dolphin custa R$ 0,11 por quilômetro; com 17 kWh na estrada e recarga rápida a R$ 2,40, R$ 0,41. Um mês de 1.500 km urbanos com wallbox custa cerca de R$ 160 em energia, contra R$ 620 de gasolina num compacto de 12 km por litro. Uma viagem de 700 km só em DC custa R$ 290 em energia, contra R$ 335 de gasolina: a economia na estrada é pequena, e o guia de custos detalha por quê.
Bateria LFP: o que fazer e o que não fazer
- Carregar a 100% em casa, ao menos uma vez por semana: é a recomendação da BYD para a química LFP, cujo indicador de carga se descalibra sem o ciclo completo.
- Não se preocupar com 100% em AC: diferente das baterias de níquel, a LFP tolera bem a carga cheia; o que ela não gosta é de calor extremo durante a recarga rápida.
- Evitar ficar dias abaixo de 10%: descarga profunda prolongada é o único regime que degrada a LFP com rapidez.
- Pré-condicionar antes do DC no frio: nas versões com a função, ative 15 minutos antes; sem ela, os primeiros minutos no carregador rápido ficam em 30 kW até a bateria aquecer.
- Usar a regeneração forte na serra: recupera de 15% a 25% do gasto da subida na descida e poupa os freios.
Garantia e degradação
A BYD cobre a bateria do Dolphin por oito anos ou 160 mil km contra perda de capacidade acima do limite contratual, e a química LFP costuma perder de 2% a 4% nos primeiros dois anos e depois estabilizar. Relatos de proprietários com mais de 100 mil km mostram capacidade entre 92% e 96% da original com uso misto de DC e AC. O que acelera a perda é a combinação de calor e recarga rápida frequente: um carro que só carrega em DC sob sol de 35 °C degrada mais do que um que alterna com a wallbox. Não é motivo para evitar o carregador rápido em viagem, e sim para não fazer dele a rotina diária quando existe alternativa.
Erros comuns de quem está começando com o Dolphin
O primeiro é confiar na autonomia da etiqueta para viagem: 290 km viram 230 a 120 km/h com ar-condicionado e chuva. O segundo é procurar carregador de 150 kW achando que vai carregar mais rápido: não vai. O terceiro é sair sem o cabo Tipo 2, porque a maioria dos pontos AC do Brasil não tem cabo preso. O quarto é esperar que uma tomada comum encha a bateria em uma noite curta: 2,2 kW rendem 20 kWh em dez horas, ou 45% da bateria. O quinto é deixar de relatar no app quando o carregador não funciona: o Dolphin é o carro mais comum da rede, e os seus relatos são os que mais ajudam quem vem atrás.
O que o computador de bordo mostra e como ler
O Dolphin exibe a autonomia restante com base no consumo recente, o que confunde quem sai da cidade para a estrada: o painel diz 300 km ao entrar na rodovia e, meia hora depois, 220 km, porque a média mudou. O número confiável é o percentual de bateria multiplicado pela autonomia útil do cenário (a tabela acima), não a estimativa do painel. A tela de energia mostra o consumo instantâneo e a média por 100 km desde o último zeramento; zerar a média ao entrar na rodovia dá, em 20 km, o consumo real daquele dia, com aquele vento e aquela chuva, e é esse valor que deve alimentar o plano de paradas. A regeneração aparece como consumo negativo nas descidas; em serra longa, a média cai 2 a 3 kWh por 100 km na descida e volta a subir na planície.
Dolphin, Dolphin Mini ou Dolphin Plus?
Para uso urbano com wallbox em casa, o Mini resolve: 38 kWh são 300 km de cidade e a recarga noturna repõe tudo. Para quem viaja uma ou duas vezes por mês, o Dolphin de 44,9 kWh é o equilíbrio: 60 kW em DC e 160 km úteis entre paradas fazem uma viagem de 700 km com três paradas. Para quem viaja muito ou roda em rodovia toda semana, o Plus é a diferença entre três paradas e duas, e entre 34 e 25 minutos por parada, além de aceitar 11 kW em casa. O critério é a estrada, não a cidade: em uso urbano os três são iguais em custo por quilômetro e em conveniência. A calculadora aceita a bateria e os limites de cada versão para comparar.
Leia também
- Quanto custa carregar um carro elétrico em 2026: casa, rede e rodovia na ponta do lápis
- Qual tomada o meu carro elétrico usa? Guia por marca e modelo vendido no Brasil
- Instalar wallbox em casa: quanto custa, o que pedir ao eletricista e o que exigem a NBR 5410 e a NBR 17019
- Tipos de tomada de carro elétrico: Tipo 2, CCS2, CHAdeMO e GB/T
- Como usar um eletroposto pela primeira vez: passo a passo