Eletropostos Brasilonde carregar seu carro elétrico
BYD Dolphin conectado a um carregador rápido em um estacionamento

BYD Dolphin: autonomia real na cidade e na estrada, tempo de recarga e onde carregar

30/08/2026 · Equipe Eletropostos Brasil · BYD Dolphin, autonomia, modelo

Consumo medido em uso urbano, rodovia e serra, autonomia por cenário, limites de 7 kW e 60 kW, tempo em cada tipo de carregador e os pontos que fazem sentido para o modelo.

O BYD Dolphin é, desde 2023, o carro elétrico mais comum nos eletropostos brasileiros, e por isso é também o modelo sobre o qual mais chegam perguntas: quanto ele anda de verdade, por que carrega "só" a 60 kW num carregador de 150 kW, se vale a pena a versão Plus, e em que pontos parar. Este artigo reúne consumos medidos em uso real, as contas de autonomia por cenário e o tempo de recarga em cada tipo de carregador, para quem tem o carro ou está decidindo. Os números de fábrica vêm da etiqueta de eficiência energética do Inmetro e do manual; os de uso real, de medições em viagem e em rotina urbana com o computador de bordo.

As versões e o que muda

VersãoBateria (LFP)Potência do motorAC máximoDC máximoAutonomia Inmetro (aprox.)
Dolphin Mini38 kWh75 cv7 kW40 kW280 km
Dolphin (GS)44,9 kWh95 cv7 kW60 kW290 km
Dolphin Plus60,5 kWh204 cv11 kW88 kW340 km

A bateria dos três é de fosfato de ferro-lítio (LFP), a química que tolera bem carga a 100% e ciclos frequentes, com menor densidade energética do que as baterias de níquel; por isso o Dolphin é pesado para o tamanho e por isso a BYD recomenda carregar a 100% regularmente para calibrar o indicador. Os valores de autonomia do Inmetro são do ciclo combinado, com predominância de cidade, e servem para comparar carros, não para planejar viagem.

Ilustração com barras de autonomia em quilômetros para cada cenário de uso do Dolphin
Autonomia do BYD Dolphin por cenário: cidade, rodovia a 100 e a 120 km/h, serra e ar-condicionado

Consumo e autonomia por cenário

Os números abaixo são do Dolphin de 44,9 kWh, com pneus na pressão recomendada e ar-condicionado em 22 °C. Em cidade, com trânsito e regeneração, o consumo fica entre 11 e 13 kWh por 100 km; a autonomia real passa de 350 km, acima da etiqueta. Na rodovia, a resistência do ar domina: a 100 km/h, 15 a 16 kWh; a 110, 16,5 a 17,5; a 120, 19 a 20. Serra com subida longa, como a Rodovia dos Imigrantes ou a Serra do Rio do Rastro, sobe o consumo para 22 a 25 no trecho de subida e devolve parte na descida pela regeneração. Chuva forte custa 5% a 8%; vento contra de 30 km/h, até 15%; bagageiro de teto, 12% a 18%.

CenárioConsumo (kWh/100 km)Autonomia total (44,9 kWh)Entre paradas (80% a 20%)
Cidade, trânsito moderado12374 km224 km
Rodovia a 100 km/h15,5290 km174 km
Rodovia a 110 km/h17264 km158 km
Rodovia a 120 km/h19,5230 km138 km
Rodovia a 110 km/h com chuva e vento19,5230 km138 km
Serra, subida contínua de 700 m24187 km (no trecho)

A linha que importa para viagem é a última coluna: a 110 km/h, o Dolphin anda 158 km entre uma parada e outra com margem de 20%. É o número para espaçar os carregadores, como faz o guia de viagem.

Os dois limites de recarga: 7 kW e 60 kW

O Dolphin de 44,9 kWh aceita no máximo 7 kW em corrente alternada e 60 kW em corrente contínua. O primeiro limite define a recarga em casa: uma wallbox de 7,4 kW enche a bateria de 20% a 100% em 5 h 45, e uma de 11 kW ou 22 kW não acelera nada. O segundo define a viagem: num carregador de 60 kW, de 10% a 80% em 34 minutos no papel e 38 a 42 na prática; num carregador de 150 kW, exatamente o mesmo tempo, porque o carro não aceita mais. Por isso não vale pagar mais caro por ponto ultrarrápido com o Dolphin; um carregador de 60 kW barato e livre rende o mesmo. A curva de carga é típica de LFP: sobe rápido para 55 a 60 kW até 50%, cai para 40 kW por volta de 70% e para 20 kW acima de 85%. O Dolphin Plus aceita 88 kW em DC e 11 kW em AC, o que corta o tempo de 10% a 80% para cerca de 33 minutos apesar da bateria maior.

CarregadorPotência recebida20% a 100% (AC) ou 10% a 80% (DC)km recuperados por hora (rodovia)
Tomada comum 220 V, 10 A2,2 kW18 h12 km
Tomada industrial 32 A ou wallbox7 kW5 h 4538 km
Ponto AC de 22 kW7 kW (limite do carro)5 h 4538 km
DC de 40 kW40 kW51 min215 km
DC de 60 kW55 a 60 kW34 a 42 min310 km
DC de 150 kW ou mais60 kW (limite do carro)34 a 42 min310 km

Onde carregar: os pontos que fazem sentido para o Dolphin

Como o carro não passa de 60 kW, o critério para escolher o ponto de viagem não é a potência máxima, e sim disponibilidade e preço: prefira pontos de 60 kW ou mais com dois ou mais cabos, deixando os hubs de 150 kW e 350 kW, mais caros, para quem os aproveita. A lista de eletropostos CCS2 ordena por potência; para o Dolphin, tudo acima de 60 kW é equivalente. Em cidade, os pontos AC gratuitos de shopping e supermercado rendem 38 km por hora, o que cobre o uso diário de quem não tem wallbox: duas horas de compras semanais repõem 75 km. A página de cada estado e cidade lista os pontos AC e marca os que declaram custo zero.

Uma semana típica sem wallbox

Quem tem um Dolphin em apartamento sem tomada na vaga costuma montar a rotina em torno de dois ou três pontos fixos. Um exemplo comum em capitais: 45 km por dia entre casa, trabalho e escola, 225 km por semana, cerca de 27 kWh a 12 kWh por 100 km. Uma recarga de duas horas num ponto AC gratuito de supermercado no sábado repõe 14 kWh; outra hora e meia num shopping durante a semana, mais 10 kWh; o restante vem de uma recarga DC de 20 minutos a cada duas semanas, quando a bateria chega a 30%. Custo mensal: perto de R$ 60 em DC e zero no resto, contra R$ 250 de gasolina para os mesmos 900 km. O tempo, seis horas semanais em estacionamento, é o que precisa caber na rotina; quem não o tem acaba dependendo do DC toda semana, e aí o custo sobe para R$ 150 e o desgaste por calor aumenta. A página da sua cidade em eletropostos por estado lista os pontos AC e mostra quais declaram custo zero.

Viagem de 500 km com o Dolphin: a conta rápida

Saída com 100%, primeira parada a até 200 km (chegada com 25% a 110 km/h), recarga até 80% em 35 a 40 minutos, segunda parada 155 km adiante, outra recarga igual, e chegada com 20% de sobra depois de mais 145 km. Duas paradas, 1 h 15 de recarga, R$ 130 em energia a R$ 2,40 por kWh. Se a rota tem um ponto de 60 kW ou mais a cada 150 km, a viagem é tranquila; se o intervalo passa de 200 km em algum trecho, reduza para 100 km/h nesse trecho e o consumo cai de 17 para 15,5 kWh, o que estica a autonomia útil para 175 km. Em trechos de 250 km sem DC, a alternativa é uma parada AC longa (uma hora em 7 kW rende 38 km) ou o pernoite com tomada. O app do Eletropostos Brasil calcula as paradas a partir da autonomia útil que você informar e exclui pontos marcados como desativados.

Custo por quilômetro

Com 12 kWh por 100 km em cidade e energia em casa a R$ 0,90, o Dolphin custa R$ 0,11 por quilômetro; com 17 kWh na estrada e recarga rápida a R$ 2,40, R$ 0,41. Um mês de 1.500 km urbanos com wallbox custa cerca de R$ 160 em energia, contra R$ 620 de gasolina num compacto de 12 km por litro. Uma viagem de 700 km só em DC custa R$ 290 em energia, contra R$ 335 de gasolina: a economia na estrada é pequena, e o guia de custos detalha por quê.

Bateria LFP: o que fazer e o que não fazer

Garantia e degradação

A BYD cobre a bateria do Dolphin por oito anos ou 160 mil km contra perda de capacidade acima do limite contratual, e a química LFP costuma perder de 2% a 4% nos primeiros dois anos e depois estabilizar. Relatos de proprietários com mais de 100 mil km mostram capacidade entre 92% e 96% da original com uso misto de DC e AC. O que acelera a perda é a combinação de calor e recarga rápida frequente: um carro que só carrega em DC sob sol de 35 °C degrada mais do que um que alterna com a wallbox. Não é motivo para evitar o carregador rápido em viagem, e sim para não fazer dele a rotina diária quando existe alternativa.

Erros comuns de quem está começando com o Dolphin

O primeiro é confiar na autonomia da etiqueta para viagem: 290 km viram 230 a 120 km/h com ar-condicionado e chuva. O segundo é procurar carregador de 150 kW achando que vai carregar mais rápido: não vai. O terceiro é sair sem o cabo Tipo 2, porque a maioria dos pontos AC do Brasil não tem cabo preso. O quarto é esperar que uma tomada comum encha a bateria em uma noite curta: 2,2 kW rendem 20 kWh em dez horas, ou 45% da bateria. O quinto é deixar de relatar no app quando o carregador não funciona: o Dolphin é o carro mais comum da rede, e os seus relatos são os que mais ajudam quem vem atrás.

O que o computador de bordo mostra e como ler

O Dolphin exibe a autonomia restante com base no consumo recente, o que confunde quem sai da cidade para a estrada: o painel diz 300 km ao entrar na rodovia e, meia hora depois, 220 km, porque a média mudou. O número confiável é o percentual de bateria multiplicado pela autonomia útil do cenário (a tabela acima), não a estimativa do painel. A tela de energia mostra o consumo instantâneo e a média por 100 km desde o último zeramento; zerar a média ao entrar na rodovia dá, em 20 km, o consumo real daquele dia, com aquele vento e aquela chuva, e é esse valor que deve alimentar o plano de paradas. A regeneração aparece como consumo negativo nas descidas; em serra longa, a média cai 2 a 3 kWh por 100 km na descida e volta a subir na planície.

Dolphin, Dolphin Mini ou Dolphin Plus?

Para uso urbano com wallbox em casa, o Mini resolve: 38 kWh são 300 km de cidade e a recarga noturna repõe tudo. Para quem viaja uma ou duas vezes por mês, o Dolphin de 44,9 kWh é o equilíbrio: 60 kW em DC e 160 km úteis entre paradas fazem uma viagem de 700 km com três paradas. Para quem viaja muito ou roda em rodovia toda semana, o Plus é a diferença entre três paradas e duas, e entre 34 e 25 minutos por parada, além de aceitar 11 kW em casa. O critério é a estrada, não a cidade: em uso urbano os três são iguais em custo por quilômetro e em conveniência. A calculadora aceita a bateria e os limites de cada versão para comparar.

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