Carregador de 7, 11 ou 22 kW: qual escolher para casa, condomínio e comércio
A diferença entre monofásico e trifásico, o limite do carregador de bordo de cada carro, quanto cada potência rende por hora, o custo da instalação e por que 22 kW quase sempre é desperdício.
Na hora de comprar um carregador de parede, a escolha entre 7 kW, 11 kW e 22 kW parece uma questão de orçamento, e não é: é uma questão de rede elétrica do imóvel e de limite do carro. Uma wallbox de 22 kW instalada numa casa monofásica entrega 7 kW; uma de 11 kW ligada a um carro que aceita 7 kW entrega 7 kW. Este artigo explica o que determina a potência real, quanto cada faixa rende por hora de recarga, quanto custa a instalação de cada uma e em que casos vale pagar a mais.
Os três limites que decidem a potência
A potência efetiva em corrente alternada é o menor valor entre três limites. O primeiro é a rede do imóvel: em rede monofásica de 220 V, o teto prático é 7,4 kW (32 A); em rede trifásica de 380 V, 11 kW com 16 A por fase ou 22 kW com 32 A por fase. O segundo é o disjuntor e o cabo instalados, que definem a corrente máxima do circuito. O terceiro, e o mais esquecido, é o carregador de bordo do carro, o equipamento dentro do veículo que converte corrente alternada em contínua: 7 kW nos modelos de entrada, 11 kW na maioria dos SUVs e sedãs, 22 kW em pouquíssimos modelos.
| Potência | Rede necessária | Corrente | Carro de 7 kW recebe | Carro de 11 kW recebe | km por hora (15 kWh/100 km) |
|---|---|---|---|---|---|
| 3,7 kW | monofásica 220 V | 16 A | 3,7 kW | 3,7 kW | 22 km |
| 7,4 kW | monofásica 220 V | 32 A | 7 kW | 7,4 kW | 44 km |
| 11 kW | trifásica 380 V | 16 A por fase | 7 kW | 11 kW | 66 km (carro de 11 kW) |
| 22 kW | trifásica 380 V | 32 A por fase | 7 kW | 11 kW | 66 km (nenhum ganho sobre 11 kW) |
As duas últimas colunas explicam a conclusão mais importante deste artigo: para um carro de 7 kW, tanto faz 7,4, 11 ou 22 kW; para um de 11 kW, tanto faz 11 ou 22. A wallbox de 22 kW só se justifica quando existe um carro que aceita 22 kW em corrente alternada, o que é raro, ou quando dois carros vão dividir o mesmo ponto com balanceamento.
Quanto cada potência rende na prática
Um carro que gasta 15 kWh a cada 100 km recupera 44 km por hora em 7,4 kW e 66 km por hora em 11 kW, contando as perdas. Para a rotina urbana média brasileira, de 40 km a 60 km por dia, uma hora e meia de 7,4 kW por dia basta; a noite inteira sobra. Em oito horas de sono, 7,4 kW entregam cerca de 53 kWh, mais do que a bateria útil de quase todos os compactos e o suficiente para levar um sedã grande de 20% a 90%. É por isso que a wallbox de 7,4 kW é a escolha padrão em casa: ela enche qualquer carro numa noite. A calculadora de tempo de recarga faz a conta para o seu modelo e para a faixa de carga que você usa.
| Modelo | Bateria útil | Carregador de bordo | 20% a 100% em 3,7 kW | em 7,4 kW | em 11 kW |
|---|---|---|---|---|---|
| Renault Kwid E-Tech | 26,8 kWh | 7 kW | 6 h 27 | 3 h 24 | 3 h 24 |
| BYD Dolphin Mini | 38 kWh | 7 kW | 9 h 08 | 4 h 49 | 4 h 49 |
| BYD Dolphin | 44,9 kWh | 7 kW | 10 h 48 | 5 h 42 | 5 h 42 |
| GWM Ora 03 | 48 kWh | 11 kW | 11 h 32 | 5 h 46 | 3 h 53 |
| Volvo EX30 | 51 kWh | 11 kW | 12 h 15 | 6 h 08 | 4 h 07 |
| BYD Seal | 82,5 kWh | 11 kW | 19 h 49 | 9 h 55 | 6 h 40 |
Quanto custa cada instalação
O equipamento de 7,4 kW custa de R$ 1.500 a R$ 3.500; o de 11 kW, de R$ 2.500 a R$ 4.500; o de 22 kW, de R$ 4.000 a R$ 7.000. A instalação muda mais: em 7,4 kW monofásicos, cabo de 6 mm² e disjuntor de 40 A; em 11 kW trifásicos, cabo de cinco vias de 4 mm² e disjuntor tripolar de 20 A; em 22 kW, cinco vias de 6 mm² e disjuntor de 40 A tripolar. Se o imóvel é monofásico e você quer 11 kW, entra o custo de mudar a entrada para trifásica junto à distribuidora, que vai de R$ 2.000 a R$ 6.000 e leva semanas. Somando tudo, uma instalação de 7,4 kW fica entre R$ 2.800 e R$ 6.500, uma de 11 kW entre R$ 4.000 e R$ 8.500, e uma de 22 kW acima disso. Os requisitos técnicos, iguais para as três, estão na ABNT NBR 5410 e na ABNT NBR 17019, disponíveis no catálogo da ABNT, e o artigo sobre instalação traz a lista completa de materiais.
Quando 11 kW compensa
- O imóvel já é trifásico e o carro aceita 11 kW: a diferença de custo é pequena e o tempo de recarga cai um terço.
- Dois carros elétricos na casa, revezando o mesmo ponto: 11 kW enchem os dois em uma noite.
- Rodagem alta, acima de 120 km por dia, com janela curta de recarga (chega às 22h e sai às 6h).
- Frota ou comércio com carros parados poucas horas: em três horas, 11 kW entregam 30 kWh contra 20 kWh de 7,4 kW.
Quando 22 kW compensa
Praticamente só em três casos. Um ponto comercial com balanceamento entre dois carros, em que a wallbox divide 22 kW em 11 kW para cada; um carro que realmente aceita 22 kW em corrente alternada, situação rara no Brasil; ou uma frota em que os veículos ficam pouco tempo conectados e o custo do carregador se dilui. Fora disso, os 22 kW viram capacidade instalada parada, com custo de cabo, disjuntor e demanda contratada. Em condomínio, o argumento é ainda mais forte: dez pontos de 7,4 kW com gerenciamento de carga atendem melhor do que três de 22 kW, porque quase todos os carros ficam a noite inteira conectados. O artigo sobre condomínios detalha o cálculo.
Comércio: a potência certa depende do tempo de permanência
Para quem instala carregador em estabelecimento, a regra é dimensionar pela permanência do cliente. Restaurante e supermercado, com uma a duas horas: 7,4 kW a 11 kW entregam de 7 kWh a 22 kWh, o suficiente para 50 km a 150 km, e o cliente percebe valor. Shopping e cinema, com três a quatro horas: 7,4 kW bastam. Hotel e pousada, com a noite inteira: 3,7 kW ou até uma tomada industrial resolvem, e o custo cai para menos de mil reais por vaga. Estacionamento de escritório, com oito horas: 3,7 kW atendem dois carros em revezamento. Corrente contínua só se justifica em rodovia ou em ponto de altíssima rotatividade, onde o cliente para 20 minutos; abaixo disso, o investimento de R$ 150 mil não se paga. As páginas de eletropostos por cidade mostram o que os concorrentes da sua região já instalaram.
Gerenciamento de carga: potência sob demanda
Antes de decidir a potência pela conta da entrada de energia, vale conhecer o recurso que muda a conta. Uma wallbox com gerenciamento dinâmico lê a corrente total do imóvel por um sensor no quadro e ajusta a do carro em tempo real: com a casa dormindo, entrega os 32 A; quando o chuveiro liga, cai para 10 A por dez minutos e volta. Isso permite instalar 7,4 kW numa entrada de 50 A que, no papel, não comportaria a soma dos aparelhos, e evita o aumento de carga junto à distribuidora, que custa milhares de reais e leva semanas. O recurso encarece a wallbox em R$ 300 a R$ 800 e exige que o eletricista instale o sensor na entrada, meia hora de serviço. Em condomínio, o mesmo conceito aplicado a vários carregadores chama-se balanceamento: um controlador distribui a potência disponível entre os carros conectados, e dez pontos de 7,4 kW convivem com uma folga de 30 kW porque quase nunca todos carregam ao mesmo tempo no pico. Para quem tem entrada apertada, gerenciamento é quase sempre mais barato e mais rápido do que subir a potência da rede.
Um método em quatro passos para decidir
Primeiro, descubra a rede do imóvel (monofásica, bifásica ou trifásica) e a corrente do disjuntor geral; isso elimina de saída metade das opções. Segundo, veja no manual do carro a potência máxima em corrente alternada; se for 7 kW, pare aqui e instale 7,4 kW. Terceiro, calcule a janela de recarga: quantas horas o carro fica parado em casa e quantos quilowatt-hora você precisa repor por dia (quilômetros diários vezes o consumo por quilômetro). Se a janela cobre a necessidade com folga na potência menor, não pague pela maior. Quarto, considere o futuro próximo: um segundo carro elétrico na família em dois anos, ou a mudança para um modelo de 11 kW, justificam deixar o cabo dimensionado para a potência maior mesmo instalando o equipamento menor agora, porque trocar o cabo depois é a parte cara da obra. Passar um cabo de 6 mm² em vez de 4 mm² custa poucas centenas de reais na hora da obra e evita quebrar parede no futuro.
Erros comuns na escolha
O primeiro é comprar potência que a rede não suporta e descobrir depois que a wallbox de 22 kW opera em 7 kW. O segundo é ignorar o carregador de bordo do carro e culpar o equipamento pela recarga lenta. O terceiro é dimensionar pela recarga mais rápida possível em vez da janela real de recarga: quem dorme oito horas não precisa encher a bateria em três. O quarto é esquecer o gerenciamento de carga quando a entrada é apertada, o que leva a disjuntor desarmando de madrugada. O quinto é comprar 22 kW achando que o carregador rápido de rodovia é a mesma coisa: aquele é corrente contínua, outra tecnologia, como explica o guia das tomadas.
Cabo preso ou tomada Tipo 2?
Além da potência, a wallbox se divide em dois formatos. A de cabo preso traz um cabo Tipo 2 de 5 a 7 metros já ligado ao equipamento: mais prática no dia a dia, porque basta pegar e conectar, e evita depender do cabo do carro. A de tomada Tipo 2 tem só a fêmea, e você usa o seu cabo: custa um pouco menos, o cabo fica guardado no porta-malas (o que é bom, já que ele é indispensável nos pontos públicos) e permite trocar um cabo danificado sem trocar a wallbox. Para uso doméstico com um carro, cabo preso é mais confortável; para garagem compartilhada ou comércio, a tomada evita que o cabo fique exposto a vandalismo e desgaste. Em qualquer dos dois, prefira grau de proteção IP54 ou superior se o ponto ficar em área aberta, e verifique se o suporte de cabo vem incluso: cabo no chão é a primeira causa de dano ao conector.
Perguntas frequentes
Como sei se minha casa é trifásica? Olhe o quadro: três disjuntores de entrada acoplados (ou um disjuntor tripolar) e quatro fios na entrada indicam trifásico. Na conta de luz, a modalidade aparece como trifásica ou bifásica.
Bifásico serve para 11 kW? Não. Em rede bifásica de 220 V, o teto prático continua sendo 7,4 kW; 11 kW exigem três fases.
Posso limitar a corrente da wallbox? Sim, praticamente todas permitem ajustar para 16 A ou 20 A, o que é útil quando a entrada é pequena.
A wallbox de 22 kW carrega mais rápido meu Dolphin? Não. Ele aceita 7 kW em corrente alternada, e é isso que vai receber.
Preciso de wallbox ou a tomada industrial basta? Uma tomada industrial de 32 A com carregador portátil entrega os mesmos 7 kW por menos dinheiro e viaja com você; a wallbox ganha em conveniência, agendamento e gerenciamento de carga.
E se eu trocar de carro? Uma wallbox de 7,4 kW atende qualquer carro; a de 11 kW só faz diferença se o próximo carro aceitar 11 kW. Não vale pagar hoje por uma capacidade que talvez nunca seja usada.
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