Eletropostos Brasilonde carregar seu carro elétrico
Três carregadores de parede de potências diferentes instalados lado a lado

Carregador de 7, 11 ou 22 kW: qual escolher para casa, condomínio e comércio

19/08/2026 · Equipe Eletropostos Brasil · wallbox, potência, comparativo

A diferença entre monofásico e trifásico, o limite do carregador de bordo de cada carro, quanto cada potência rende por hora, o custo da instalação e por que 22 kW quase sempre é desperdício.

Na hora de comprar um carregador de parede, a escolha entre 7 kW, 11 kW e 22 kW parece uma questão de orçamento, e não é: é uma questão de rede elétrica do imóvel e de limite do carro. Uma wallbox de 22 kW instalada numa casa monofásica entrega 7 kW; uma de 11 kW ligada a um carro que aceita 7 kW entrega 7 kW. Este artigo explica o que determina a potência real, quanto cada faixa rende por hora de recarga, quanto custa a instalação de cada uma e em que casos vale pagar a mais.

Os três limites que decidem a potência

A potência efetiva em corrente alternada é o menor valor entre três limites. O primeiro é a rede do imóvel: em rede monofásica de 220 V, o teto prático é 7,4 kW (32 A); em rede trifásica de 380 V, 11 kW com 16 A por fase ou 22 kW com 32 A por fase. O segundo é o disjuntor e o cabo instalados, que definem a corrente máxima do circuito. O terceiro, e o mais esquecido, é o carregador de bordo do carro, o equipamento dentro do veículo que converte corrente alternada em contínua: 7 kW nos modelos de entrada, 11 kW na maioria dos SUVs e sedãs, 22 kW em pouquíssimos modelos.

PotênciaRede necessáriaCorrenteCarro de 7 kW recebeCarro de 11 kW recebekm por hora (15 kWh/100 km)
3,7 kWmonofásica 220 V16 A3,7 kW3,7 kW22 km
7,4 kWmonofásica 220 V32 A7 kW7,4 kW44 km
11 kWtrifásica 380 V16 A por fase7 kW11 kW66 km (carro de 11 kW)
22 kWtrifásica 380 V32 A por fase7 kW11 kW66 km (nenhum ganho sobre 11 kW)

As duas últimas colunas explicam a conclusão mais importante deste artigo: para um carro de 7 kW, tanto faz 7,4, 11 ou 22 kW; para um de 11 kW, tanto faz 11 ou 22. A wallbox de 22 kW só se justifica quando existe um carro que aceita 22 kW em corrente alternada, o que é raro, ou quando dois carros vão dividir o mesmo ponto com balanceamento.

Ilustração comparando a autonomia recuperada por hora em cada potência para carros de 7 kW e de 11 kW de carregador de bordo
Quilômetros recuperados por hora em 7, 11 e 22 kW conforme o limite do carro

Quanto cada potência rende na prática

Um carro que gasta 15 kWh a cada 100 km recupera 44 km por hora em 7,4 kW e 66 km por hora em 11 kW, contando as perdas. Para a rotina urbana média brasileira, de 40 km a 60 km por dia, uma hora e meia de 7,4 kW por dia basta; a noite inteira sobra. Em oito horas de sono, 7,4 kW entregam cerca de 53 kWh, mais do que a bateria útil de quase todos os compactos e o suficiente para levar um sedã grande de 20% a 90%. É por isso que a wallbox de 7,4 kW é a escolha padrão em casa: ela enche qualquer carro numa noite. A calculadora de tempo de recarga faz a conta para o seu modelo e para a faixa de carga que você usa.

ModeloBateria útilCarregador de bordo20% a 100% em 3,7 kWem 7,4 kWem 11 kW
Renault Kwid E-Tech26,8 kWh7 kW6 h 273 h 243 h 24
BYD Dolphin Mini38 kWh7 kW9 h 084 h 494 h 49
BYD Dolphin44,9 kWh7 kW10 h 485 h 425 h 42
GWM Ora 0348 kWh11 kW11 h 325 h 463 h 53
Volvo EX3051 kWh11 kW12 h 156 h 084 h 07
BYD Seal82,5 kWh11 kW19 h 499 h 556 h 40

Quanto custa cada instalação

O equipamento de 7,4 kW custa de R$ 1.500 a R$ 3.500; o de 11 kW, de R$ 2.500 a R$ 4.500; o de 22 kW, de R$ 4.000 a R$ 7.000. A instalação muda mais: em 7,4 kW monofásicos, cabo de 6 mm² e disjuntor de 40 A; em 11 kW trifásicos, cabo de cinco vias de 4 mm² e disjuntor tripolar de 20 A; em 22 kW, cinco vias de 6 mm² e disjuntor de 40 A tripolar. Se o imóvel é monofásico e você quer 11 kW, entra o custo de mudar a entrada para trifásica junto à distribuidora, que vai de R$ 2.000 a R$ 6.000 e leva semanas. Somando tudo, uma instalação de 7,4 kW fica entre R$ 2.800 e R$ 6.500, uma de 11 kW entre R$ 4.000 e R$ 8.500, e uma de 22 kW acima disso. Os requisitos técnicos, iguais para as três, estão na ABNT NBR 5410 e na ABNT NBR 17019, disponíveis no catálogo da ABNT, e o artigo sobre instalação traz a lista completa de materiais.

Quando 11 kW compensa

Quando 22 kW compensa

Praticamente só em três casos. Um ponto comercial com balanceamento entre dois carros, em que a wallbox divide 22 kW em 11 kW para cada; um carro que realmente aceita 22 kW em corrente alternada, situação rara no Brasil; ou uma frota em que os veículos ficam pouco tempo conectados e o custo do carregador se dilui. Fora disso, os 22 kW viram capacidade instalada parada, com custo de cabo, disjuntor e demanda contratada. Em condomínio, o argumento é ainda mais forte: dez pontos de 7,4 kW com gerenciamento de carga atendem melhor do que três de 22 kW, porque quase todos os carros ficam a noite inteira conectados. O artigo sobre condomínios detalha o cálculo.

Comércio: a potência certa depende do tempo de permanência

Para quem instala carregador em estabelecimento, a regra é dimensionar pela permanência do cliente. Restaurante e supermercado, com uma a duas horas: 7,4 kW a 11 kW entregam de 7 kWh a 22 kWh, o suficiente para 50 km a 150 km, e o cliente percebe valor. Shopping e cinema, com três a quatro horas: 7,4 kW bastam. Hotel e pousada, com a noite inteira: 3,7 kW ou até uma tomada industrial resolvem, e o custo cai para menos de mil reais por vaga. Estacionamento de escritório, com oito horas: 3,7 kW atendem dois carros em revezamento. Corrente contínua só se justifica em rodovia ou em ponto de altíssima rotatividade, onde o cliente para 20 minutos; abaixo disso, o investimento de R$ 150 mil não se paga. As páginas de eletropostos por cidade mostram o que os concorrentes da sua região já instalaram.

Gerenciamento de carga: potência sob demanda

Antes de decidir a potência pela conta da entrada de energia, vale conhecer o recurso que muda a conta. Uma wallbox com gerenciamento dinâmico lê a corrente total do imóvel por um sensor no quadro e ajusta a do carro em tempo real: com a casa dormindo, entrega os 32 A; quando o chuveiro liga, cai para 10 A por dez minutos e volta. Isso permite instalar 7,4 kW numa entrada de 50 A que, no papel, não comportaria a soma dos aparelhos, e evita o aumento de carga junto à distribuidora, que custa milhares de reais e leva semanas. O recurso encarece a wallbox em R$ 300 a R$ 800 e exige que o eletricista instale o sensor na entrada, meia hora de serviço. Em condomínio, o mesmo conceito aplicado a vários carregadores chama-se balanceamento: um controlador distribui a potência disponível entre os carros conectados, e dez pontos de 7,4 kW convivem com uma folga de 30 kW porque quase nunca todos carregam ao mesmo tempo no pico. Para quem tem entrada apertada, gerenciamento é quase sempre mais barato e mais rápido do que subir a potência da rede.

Um método em quatro passos para decidir

Primeiro, descubra a rede do imóvel (monofásica, bifásica ou trifásica) e a corrente do disjuntor geral; isso elimina de saída metade das opções. Segundo, veja no manual do carro a potência máxima em corrente alternada; se for 7 kW, pare aqui e instale 7,4 kW. Terceiro, calcule a janela de recarga: quantas horas o carro fica parado em casa e quantos quilowatt-hora você precisa repor por dia (quilômetros diários vezes o consumo por quilômetro). Se a janela cobre a necessidade com folga na potência menor, não pague pela maior. Quarto, considere o futuro próximo: um segundo carro elétrico na família em dois anos, ou a mudança para um modelo de 11 kW, justificam deixar o cabo dimensionado para a potência maior mesmo instalando o equipamento menor agora, porque trocar o cabo depois é a parte cara da obra. Passar um cabo de 6 mm² em vez de 4 mm² custa poucas centenas de reais na hora da obra e evita quebrar parede no futuro.

Erros comuns na escolha

O primeiro é comprar potência que a rede não suporta e descobrir depois que a wallbox de 22 kW opera em 7 kW. O segundo é ignorar o carregador de bordo do carro e culpar o equipamento pela recarga lenta. O terceiro é dimensionar pela recarga mais rápida possível em vez da janela real de recarga: quem dorme oito horas não precisa encher a bateria em três. O quarto é esquecer o gerenciamento de carga quando a entrada é apertada, o que leva a disjuntor desarmando de madrugada. O quinto é comprar 22 kW achando que o carregador rápido de rodovia é a mesma coisa: aquele é corrente contínua, outra tecnologia, como explica o guia das tomadas.

Cabo preso ou tomada Tipo 2?

Além da potência, a wallbox se divide em dois formatos. A de cabo preso traz um cabo Tipo 2 de 5 a 7 metros já ligado ao equipamento: mais prática no dia a dia, porque basta pegar e conectar, e evita depender do cabo do carro. A de tomada Tipo 2 tem só a fêmea, e você usa o seu cabo: custa um pouco menos, o cabo fica guardado no porta-malas (o que é bom, já que ele é indispensável nos pontos públicos) e permite trocar um cabo danificado sem trocar a wallbox. Para uso doméstico com um carro, cabo preso é mais confortável; para garagem compartilhada ou comércio, a tomada evita que o cabo fique exposto a vandalismo e desgaste. Em qualquer dos dois, prefira grau de proteção IP54 ou superior se o ponto ficar em área aberta, e verifique se o suporte de cabo vem incluso: cabo no chão é a primeira causa de dano ao conector.

Perguntas frequentes

Como sei se minha casa é trifásica? Olhe o quadro: três disjuntores de entrada acoplados (ou um disjuntor tripolar) e quatro fios na entrada indicam trifásico. Na conta de luz, a modalidade aparece como trifásica ou bifásica.

Bifásico serve para 11 kW? Não. Em rede bifásica de 220 V, o teto prático continua sendo 7,4 kW; 11 kW exigem três fases.

Posso limitar a corrente da wallbox? Sim, praticamente todas permitem ajustar para 16 A ou 20 A, o que é útil quando a entrada é pequena.

A wallbox de 22 kW carrega mais rápido meu Dolphin? Não. Ele aceita 7 kW em corrente alternada, e é isso que vai receber.

Preciso de wallbox ou a tomada industrial basta? Uma tomada industrial de 32 A com carregador portátil entrega os mesmos 7 kW por menos dinheiro e viaja com você; a wallbox ganha em conveniência, agendamento e gerenciamento de carga.

E se eu trocar de carro? Uma wallbox de 7,4 kW atende qualquer carro; a de 11 kW só faz diferença se o próximo carro aceitar 11 kW. Não vale pagar hoje por uma capacidade que talvez nunca seja usada.

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