Instalar um eletroposto no seu negócio: quanto custa, quanto atrai e como aparecer no mapa
O retorno de um carregador em restaurante, hotel, supermercado e oficina, os modelos de operação (próprio, comodato ou parceria), o investimento por potência e o passo a passo para o ponto ser encontrado por quem procura recarga.
Um restaurante de rodovia que instala um carregador rápido passa a aparecer no aplicativo de todo motorista elétrico num raio de cem quilômetros, e a parada de 30 minutos vira almoço. Um hotel com tomada na garagem entra na lista de quem planeja viagem elétrica e fecha diárias por causa disso. Um supermercado com dois pontos de corrente alternada mantém o cliente na loja por duas horas. O carregador deixou de ser gasto de imagem e virou canal de atração, e este artigo mostra a conta: quanto custa cada opção, o que cada tipo de negócio ganha, os três modelos de operação e como fazer o ponto ser encontrado por quem procura.
O que cada tipo de negócio ganha
| Negócio | Permanência do cliente | Potência indicada | Investimento típico | O que atrai |
|---|---|---|---|---|
| Restaurante de rodovia | 30 a 60 min | DC 60 a 120 kW | R$ 150 mil a R$ 400 mil | parada obrigatória de quem viaja; ticket alto |
| Restaurante urbano | 1 a 2 h | AC 7 a 22 kW | R$ 4 mil a R$ 12 mil | escolha do restaurante pelo carregador |
| Hotel e pousada | uma noite | AC 3,7 a 7,4 kW ou tomada industrial | R$ 1,5 mil a R$ 8 mil | entra no roteiro de viagem elétrica |
| Supermercado | 1 a 2 h | AC 7 a 22 kW | R$ 4 mil a R$ 15 mil | frequência semanal e fidelização |
| Shopping | 2 a 4 h | AC 7 a 11 kW; DC 60 kW em pontos de alto fluxo | R$ 6 mil por vaga AC | tempo de permanência e diferencial |
| Oficina e concessionária | horas | AC 11 a 22 kW | R$ 5 mil a R$ 15 mil | serviço a clientes de elétricos, nicho em alta |
| Escritório e coworking | 8 h | AC 3,7 a 7,4 kW | R$ 3 mil a R$ 8 mil | benefício para equipe e clientes |
| Condomínio comercial | variável | AC com balanceamento | R$ 3 mil a R$ 6 mil por vaga | valorização e ocupação das salas |
A regra de dimensionamento é simples: escolha a potência pelo tempo que o cliente já fica no local, não pela velocidade máxima possível. Um hotel não precisa de corrente contínua, e um posto de rodovia não resolve com 7 kW. O comparativo de potências tem a conta detalhada de quantos quilômetros cada faixa entrega por hora.
Três modelos de operação
Operação própria. Você compra o equipamento, paga a instalação e decide se cobra. Vantagem: controle total, receita integral quando cobra, e liberdade para oferecer de graça a clientes. Desvantagem: manutenção, software de cobrança e suporte por sua conta. Faz sentido em AC, onde o equipamento é barato e a manutenção é mínima.
Comodato com uma rede. A operadora instala e opera o carregador, arca com equipamento e manutenção, e fica com a receita ou repassa um percentual; você entra com o espaço, a conexão elétrica e, às vezes, a energia. Vantagem: investimento zero ou baixo e nome da rede no aplicativo dela, que traz tráfego. Desvantagem: você não decide o preço nem a política de gratuidade, e o contrato costuma ter exclusividade e prazo de cinco a dez anos.
Parceria com repasse. Meio-termo: você compra o equipamento e a rede opera, cobra e repassa a receita menos uma taxa. Vantagem: aparece no app da rede, com cobrança e suporte resolvidos, e a receita fica com você. Desvantagem: investimento inicial e dependência do software da rede. É o modelo mais comum em corrente contínua fora dos postos de combustível. O comparativo das redes mostra quais operam em cada estado.
A conta de um carregador AC em comércio urbano
Dois pontos de 7,4 kW custam cerca de R$ 10 mil instalados, com circuito exclusivo, DR e proteção conforme a ABNT NBR 5410 e a ABNT NBR 17019, disponíveis no catálogo da ABNT. Com uso médio de quatro sessões por dia e duas horas cada, são 60 kWh diários, ou R$ 480 de energia por mês na tarifa comercial. Se a recarga é cortesia, esse é o custo mensal do canal de atração: menos do que uma inserção em rádio local, com a diferença de que ele aparece no mapa de todo motorista elétrico da cidade, todos os dias, sem custo por clique. Se a recarga é cobrada a R$ 1,80 por kWh, a receita bruta é de R$ 3.240 por mês, o investimento se paga em quatro meses e sobra margem. A decisão entre cobrar e não cobrar depende do ticket médio do negócio: onde o cliente gasta R$ 200 no almoço, a cortesia compensa; onde a permanência não gera consumo, a cobrança é o caminho, como discute o artigo sobre recarga gratuita.
A conta de um carregador DC em rodovia
Um totem de 120 kW com dois cabos custa de R$ 250 mil a R$ 400 mil, mais entrada em média tensão, transformador, obra civil e contrato de demanda com a distribuidora, que cobra a demanda contratada todo mês mesmo sem uso. Com 8 sessões diárias de 25 kWh a R$ 2,60, são 6.240 kWh e R$ 16 mil de receita bruta mensal; descontando energia, demanda, taxa de cartão e manutenção, sobram de R$ 5 mil a R$ 7 mil. O retorno do investimento fica entre quatro e seis anos, e melhora rápido conforme a frota cresce, porque o custo fixo se dilui. Para a maioria dos estabelecimentos, o modelo de comodato com uma rede é a forma de ter corrente contínua sem imobilizar esse capital.
Como o ponto aparece no mapa
Instalar e não cadastrar é jogar dinheiro fora: quem procura recarga usa aplicativo, não passa na porta. O caminho para ser encontrado tem quatro etapas, e nenhuma custa nada.
- Cadastre no Eletropostos Brasil pelo formulário do site ou pelo app, com nome, endereço, tomadas, potência, horário e preço. O ponto entra no site e no app na revisão seguinte.
- Cadastre no Open Charge Map (openchargemap.org), a base colaborativa que alimenta dezenas de aplicativos no mundo inteiro, inclusive o nosso.
- Cadastre no OpenStreetMap como
amenity=charging_station, com as tags de conector e potência; é a base usada por navegadores e por sistemas de bordo de vários carros. - Atualize seu perfil no Google com o atributo de estação de recarga e uma foto do carregador; é onde o cliente confere antes de sair.
Depois do cadastro, mantenha a informação viva: se o preço mudar, se o horário mudar ou se o equipamento sair de operação por manutenção, atualize. Ponto com dado errado gera relato de "quebrado" e some da rota de quem planeja viagem. Operadoras com vários pontos podem enviar a lista completa em OCPI ou CSV pela página da API, com atualização automática.
Três casos, três decisões
Pousada em rota turística, 20 quartos. Investimento: duas tomadas industriais de 32 A na garagem, R$ 3.500 no total, com circuito exclusivo e DR. Operação: cortesia para hóspedes, informada na reserva e no site. Retorno: entra nos roteiros de viagem elétrica publicados em grupos e aplicativos, e passa a receber reservas de quem escolhe o pernoite pela tomada. O custo de energia por hóspede é de R$ 15 a R$ 25 por noite, menos do que o café da manhã. É o melhor retorno por real investido de toda a lista.
Restaurante urbano com estacionamento próprio. Investimento: dois pontos AC de 7,4 kW com cabo preso, R$ 10 mil. Operação: gratuito durante o consumo, com limite de duas horas e placa informando. Retorno: aparece nos aplicativos como restaurante com recarga, atrai o público que escolhe onde almoçar por isso e aumenta a permanência. Custo mensal de energia entre R$ 300 e R$ 500. Se a demanda crescer a ponto de a vaga viver ocupada, a saída é passar a cobrar o preço da energia, mantendo a cortesia para quem consome acima de um valor.
Posto de combustível em rodovia movimentada. Investimento: comodato com uma rede, custo próprio limitado à obra civil e à conexão, entre R$ 30 mil e R$ 80 mil. Operação: a rede cobra e repassa um percentual ou paga aluguel pelo espaço. Retorno: o motorista elétrico para 30 minutos e consome na conveniência, com ticket médio mais alto que o do cliente de combustível; e o posto entra no planejamento de viagem de quem passa pela rodovia, o que fideliza. Sem o comodato, o investimento de R$ 300 mil em corrente contínua só se justifica com fluxo alto comprovado.
O que exigir do instalador
Peça ART ou TRT do serviço, circuito exclusivo por carregador, dispositivo DR do tipo A ou B, cabo dimensionado pela distância, aterramento medido e proteção contra surtos. Exija equipamento certificado, com garantia no Brasil e assistência local; carregador importado sem representante vira sucata na primeira falha. Em estacionamento aberto, grau de proteção IP54 ou superior e proteção física contra colisão (balizador ou mureta). E planeje a sinalização: vaga demarcada, placa visível e regra de uso afixada, o que reduz o problema de vaga ocupada por carro a combustão, a reclamação número um dos motoristas elétricos.
Erros que anulam o investimento
Instalar num canto escuro e sem sinalização; escolher potência incompatível com a permanência do cliente; não cadastrar em base nenhuma; deixar o equipamento fora do ar por semanas esperando peça; cobrar por tempo em ponto de corrente alternada, o que penaliza carros lentos e gera reclamação; e prometer gratuidade e passar a cobrar sem avisar. Todos são recuperáveis, menos o último: o motorista elétrico é um público pequeno e conectado, e reputação circula rápido nos grupos e nas avaliações dos aplicativos.
Depois de instalado: como medir o retorno
Três indicadores bastam. O primeiro é o número de sessões por semana, que o software do carregador entrega; se ficar abaixo de duas por dia depois de três meses de cadastro nas bases, o problema costuma ser sinalização ou localização, não demanda. O segundo é a energia entregue por sessão: sessões curtas demais indicam que os clientes usam o ponto como complemento e talvez a potência seja baixa para o tempo de permanência. O terceiro, e o mais importante, é o consumo do cliente que carrega: peça à equipe para registrar quando uma comanda vem de alguém que chegou para carregar, ou ofereça um código no app. Sem isso, o carregador vira custo sem história, e o primeiro corte de despesa o desliga. Estabelecimentos que medem descobrem, quase sempre, que o ticket de quem carrega é maior que a média, porque o tempo de permanência é maior.
Perguntas frequentes
Preciso de licença para cobrar pela recarga? Não. A Resolução Normativa ANEEL nº 1.000, de 2021, trata a recarga como serviço livre a qualquer interessado, com preço livre; veja o portal da ANEEL.
Posso repassar só o custo da energia? Pode cobrar o que quiser, inclusive apenas o valor exato da energia consumida; o preço é livre e a única exigência é informá-lo antes da ativação da sessão, como manda o Código de Defesa do Consumidor.
Vale instalar se ainda passam poucos elétricos na cidade? Em hotel de rota e restaurante de rodovia, sim, porque quem viaja escolhe o local pelo carregador e a concorrência ainda é pequena. Em comércio de bairro, um ponto de corrente alternada basta para começar e pode crescer conforme a frota local aumentar.
Quanto tempo leva a instalação? Um ponto de corrente alternada fica pronto em um a três dias depois que o material chega. Um de corrente contínua em média tensão leva de dois a seis meses, contando projeto elétrico, obra civil, transformador e a aprovação da distribuidora, que costuma ser a etapa mais demorada.
A energia do carregador entra na mesma conta de luz? Sim, como qualquer carga do estabelecimento; em corrente contínua, a demanda contratada muda e vale rever o contrato com a distribuidora antes de instalar.
Preciso de um seguro específico para o carregador? Comunique a instalação à seguradora do imóvel e guarde a ART do serviço; equipamento certificado e instalação regular costumam ser aceitos sem sobrepreço.
Como evito que a vaga fique ocupada? Sinalização clara, limite de tempo, e cobrança simbólica por permanência acima do limite; o artigo sobre taxa de ociosidade explica os modelos.
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